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01/04/2010 - 10h37

Produção industrial volta a mostrar recuperação, aponta IBGE

RIO - Os resultados da produção industrial em fevereiro mostram que o setor se aproxima da recuperação em relação às perdas causadas pela crise internacional. A alta de 1,5% na série com ajuste sazonal deixou a produção em um patamar próximo a maio de 2008 e apenas 3,2% menor que o de setembro de 2008, o recorde da série histórica iniciada em 1991. Os dados constam da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O gerente de análises e estatísticas derivadas do IBGE, André Macedo, destacou que, entre as categorias de uso, bens de consumo semi e não duráveis apresentam alta de 1,6% frente a setembro de 2008. As demais categorias ainda não recuperaram o patamar pré-crise, mas já se aproximam dos níveis de produção de setembro de 2008. Bens de consumo duráveis, por exemplo, têm produção 0,7% inferior a setembro de 2008, enquanto os bens intermediários estão 1,3% abaixo e os bens de capital ficam com produção 9,9% menor. " Houve uma perda expressiva nos três últimos meses de 2008 e o que se tem até fevereiro de 2010 é uma recuperação frente ao patamar perdido. Temos dois meses de crescimento e a indústria está recuperando as perdas dos três últimos meses de 2008. Tem realmente uma sinalização de incremento da atividade produtiva. É um perfil de crescimento generalizado " , frisou Macedo.

O tamanho da recuperação pode ser visto ao se comparar os atuais patamares de produção com o tombo que aconteceu nos três últimos meses de 2008. A indústria brasileira terminou dezembro daquele ano com nível de produção 20,6% menor que em setembro, enquanto os bens de capital estavam 28% abaixo; os bens de consumo duráveis ficaram 47,6% aquém de setembro; os bens intermediários registraram queda de 19%; e os bens de consumo semi e não duráveis apresentaram recuo de 8% na comparação entre setembro e dezembro de 2008. " Agora, o setor industrial volta a um patamar bem mais próximo do recorde " , ressaltou Macedo. " A indústria vem superando a crise. Ainda não supera perdas dos três últimos meses de 2008, mas, desde então, vem recuperando o patamar perdido nos três últimos meses de 2008 " , acrescentou. O resultado de fevereiro na comparação com igual mês de 2009 mostra uma alta de 18,4%, o melhor resultado para um mês de fevereiro desde o início da série histórica, em 1991. O acumulado nos dois primeiros meses do ano, de 17,2%, também é o melhor resultado para um primeiro bimestre de toda a série. Macedo lembrou, porém, da base de comparação deprimida, mas fez questão de salientar que os resultados mostram uma recuperação que não é explicada apenas pela base fraca. Entre as categorias de uso, os bens de capital, com alta de 26,2% frente a fevereiro do ano passado, apresentou o melhor resultado para este tipo de comparação desde os 29,7% de abril de 2008, enquanto o crescimento de 10,5% dos bens de consumo semi e não duráveis foi o maior desde os 11,4% de fevereiro de 2000. O técnico do IBGE chamou a atenção também para a difusão do crescimento entre os produtos pesquisados pelo IBGE. De 755 produtos, 72,1% apresentaram crescimento na produção em fevereiro, na comparação com igual mês do ano passado, o maior nível desde que o instituto começou a medir a difusão, em 2003. Ao se analisar as categorias de uso, os bens de capital mostraram alta de 71,1% dos produtos, o maior nível desde os 72% de setembro de 2008; os bens intermediários apresentaram alta da em 74,4% dos produtos, o maior nível desde os 74,6% de junho de 2004; os bens de consumo duráveis apresentaram índice de difusão de 76,2%, o maior desde os 88% de março de 2004; e os bens de consumo semi e não duráveis fecharam com 67%, o mais elevado desde os 67,5% de agosto de 2004. " Em fevereiro, 57,9% dos 755 produtos pesquisados tiveram alta da produção superior a 10% na comparação com fevereiro do ano passado. Esse patamar também é o maior da série histórica " , disse Macedo. Os resultados da série com ajuste sazonal também comprovam a recuperação da indústria. O avanço de 1,5% na indústria geral foi puxado pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis, com crescimento de 2,4%, no terceiro avanço seguido, acumulando crescimento de 4,5%. Os bens de capital avançaram 1,7%, com 31,4% de crescimento em 12 meses, enquanto os bens intermediários caíram 0,5%, interrompendo 13 meses de crescimento, quando houve aumento acumulado de 22,4%. " Depois de 13 meses de alta, a queda de 0,5% nos bens intermediários foi mais que natural, representando uma acomodação depois de um grande ciclo de crescimento " , disse Macedo. Ele destacou ainda o avanço em bens de consumo duráveis, de 0,7%, depois de expansão de 8,4% em janeiro.

(Rafael Rosas | Valor)

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