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05/04/2010 - 16h39

DIs perdem prêmio com permanência de Meirelles, mas inflação preocupa

SÃO PAULO - A redução nos prêmios de risco na curva de juros futuros é reflexo da permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. A explicação é do sócio da Platina Investimentos, Marco Franklin.

Segundo o especialista, ao permanecer no cargo Meirelles eliminou a dúvida que existia sobre sua sucessão e reforçou a ideia de que o plano de voo elucidado na ata do Copom e no Relatório de Inflação será mantido.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010, apontava estabilidade, a 8,67%. Julho de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 9,18%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também cedeu 0,01 ponto, a 10,37%.

Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 recuou 0,02 ponto, a 11,62%. Janeiro de 2013 cedeu 0,07 ponto, a 11,97%, e janeiro 2014 devolveu 0,07 ponto, projetando 12,08%.

Até as 16h15, foram negociados 533.545 contratos, equivalentes a R$ 47,59 bilhões (US$ 26,88 bilhões), 25% abaixo do registrado na quinta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 180.595 contratos, equivalentes a R$ 16,77 bilhões (US$ 9,47 bilhões).

O dia também contou com uma nova edição do boletim Focus, que mostrou piora nas expectativas de inflação tanto para 2009 quanto para 2010. A mediana das expectativas aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,18% no encerramento do ano, contra 5,16% da medição anterior. Esta foi a 11ª semana seguida de alta. A projeção para 2011 também piorou, saindo de 4,70% para 4,74%.

Para Franklin, essas expectativas devem continuar se deteriorando ao longo das próximas semanas. Segundo o especialista, parte do mercado interpreta que o BC ficou atrás da curva (demorou em ajustar a taxa de juros) ao postergar o início do ciclo de ajuste de março para abril. "E quando o BC está atrás da curva, as expectativas se deterioram ainda mais." Para Franklin, os sinais de risco de alta para a inflação tanto em 2010 quanto em 2011 estão aumentando. E agora esse quadro conta com uma novidade, o ambiente global está ficando inflacionário.

Antes, diz Franklin, tínhamos pressão mais forte de inflação no Brasil, mas atuando em direção contrária, o mundo estava deflacionário, compensando essas pressões. "Agora, o que o mercado externo mostra é que esse mundo deflacionário não será tão deflacinário assim." Os sinais disso são os dados econômicos mais consistentes nos Estados Unidos, Europa e Japão. E o aumento no preço das commodities, como petróleo, na casa dos US$ 86 o barril de WTI, e minério de ferro, que teve reajuste de cerca de 100%. Esse aumentos de preço devem bater no preços do atacado, com algum reflexo no varejo também.

Trazendo essa nova realidade para o horizonte de política monetária, Franklin aponta que o Banco Central deixou a porta aberta para começar o ciclo de aperto na taxa básica de juros de forma mais forte. Mas que não é possível saber, com algum grau de certeza, que início do ciclo será feito de forma mais acentuada, ou seja, com ajuste superior a 0,5 ponto percentual na Selic.

Voltando à inflação, o calendário da semana reserva a leitura de IPCA para o mês de mês de março. O Focus aponta que o mercado espera uma elevação de 0,49%, mas a Platina não descarta uma surpresa negativa, com com uma alta um pouco mais acentuada, de 0,52% a 0,53%.

(Eduardo Campos | Valor)

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