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05/04/2010 - 12h08

DIs recuam refletindo permanência de Meirelles

SÃO PAULO - As expectativas de inflação voltaram a piorar tanto para 2010 quanto para 2011, mas isso não parece fazer preço no mercado de juros futuros. Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, a curva reage à decisão de Henrique Meirelles, de permanecer na presidência do Banco Central (BC).

Na quinta-feira passada à noite, Meirelles anunciou sua decisão, pondo fim a uma dúvida que persistia há cerca de nove meses. "Decidi ficar para colaborar para a perenização da estabilidade econômica", disse ele.

Nepomuceno comentou que, ao ficar no cargo, Meirelles traz ao mercado a tranquilidade de que o regime de metas está garantido até o fim do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda de acordo com ele, sem alteração no comando da instituição, ganha força a aposta de um início de ciclo de aperto monetário com alta 0,5 ponto percentual.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio de 2010 não era negociado. Julho de 2010 subia 0,01 ponto, a 9,19%. Enquanto janeiro de 2011 apontava 10,38%, perda de 0,01 ponto.

Já entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 caía 0,02 ponto, a 11,62%. Janeiro 2013 recuava 0,05 ponto, a 11,99%. E janeiro 2014 também devolvia 0,05 ponto, a 12,10%.

No entanto, essa queda nos prêmios de risco pode ser passageira. Segundo Nepomuceno, a piora nas expectativas de inflação, captadas pelo Focus, começam a preocupar não só pelo impacto na inflação de 2010, mas também no comportamento dos preços no ano que vem.

De acordo com a sondagem do BC, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fechamento de 2010 subiu pela 11ª primeira semana seguida, atingindo 5,18%, contra 5,16%. A projeção para 2011 também piorou, saindo de 4,70% para 4,74%.

O estrategista alerta para a deterioração nas projeções para os preços no atacado. Os prognósticos tanto para o IGP-M quanto para IGP-DI sobem por 12 semanas seguidas. "Isso pode contaminar a inflação do primeiro trimestre do ano que vem."
Ainda sobre os preços no atacado, Nepomuceno aponta que está difícil enxergar alguma contribuição do cenário internacional, já que as commodities, como petróleo e minério de ferro, seguem ganhando valor.

Para o estrategista, tal trajetória de preços exige que o Banco Central seja mais proativo na condução das expectativas.

Na quinta-feira, os agentes recebem a leitura para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março. Na visão de Nepomuceno, uma variação acima de 0,50% preocupa, pois mostraria uma contaminação da inflação no curto prazo.

(Eduardo Campos | Valor)

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