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06/04/2010 - 15h45

Fed vê risco em aumento prematuro dos juros

SÃO PAULO - O risco que uma elevação prematura dos juros poderia trazer à economia dos Estados Unidos é maior do que os problemas que poderiam ser causados por um ajuste mais tardio. A avaliação, de alguns membros do Comitê de Política Monetária (FOMC, na sigla em inglês), foi levada em consideração pelo Federal Reserve na decisão de manter o juro básico americano perto de zero e de completar o plano de compra de títulos atrelados a hipotecas. Para esses membros, o Fed tem flexibilidade para adequar o ritmo do aperto dos juros às condições da economia. Por outro lado, teria limites para fornecer mais estímulos monetários à economia se fosse necessário, tendo em vista todas as ações já tomadas.

Alguns integrantes frisaram que as decisões de política monetária não se relacionam ao calendário, e sim aos desdobramentos da economia. Assim, o Fed poderia começar a elevar juros " se as evidências sugerirem que a atividade econômica está se acelerando marcadamente ou que a inflação está subindo de forma notável " . Da mesma forma, o juro pode ficar perto de zero por mais tempo do que o esperado " se o panorama econômico piorar consideravelmente ou se a tendência da inflação for de diminuir ainda mais " .

As explicações constam da ata da reunião do FOMC ocorrida em 16 de março. Segundo o documento, quase todos os integrantes do comitê acreditam que o cenário atual, de inflação baixa, expectativas inflacionárias estáveis e menor uso da capacidade instalada, justifica a manutenção do juro perto de zero. Alguns consideraram mesmo que a inflação se desacelerou um pouco mais do que o esperado, ancorada pelo pessimismo do consumidor. " O sentimento do consumidor continuou a ser refreado pelas condições muito fracas do mercado de trabalho e as empresas permaneceram relutantes em contratar ou se comprometer com novos projetos " , diz a ata.

Nesse quadro, a maioria dos integrantes votou por repetir, no comunicado que apresenta a decisão do comitê, a expressão de que as condições dão aval a manter " níveis excepcionalmente baixos para as taxas dos federal funds por um período extenso " . O único dissidente foi o presidente do Fed do Kansas, Thomas Hoenig, para quem essa expectativa poderia elevar a possibilidade de desequilíbrios futuros no balanço do Fed. Ele defendeu que a frase indicasse a manutenção do juro zero " por algum tempo " , abrindo caminho para a autoridade monetária começar a ajustar as taxas para cima.

Embora a economia americana tenha mostrado um ritmo moderado de recuperação no começo do ano, o desestímulo que o desemprego provoca no consumo foi considerado pelos integrantes do Fed como um dos fatores que devem conter o ritmo da retomada. " Enquanto os dados recentes apontam uma melhora notável no ritmo do gasto do consumidor no primeiro trimestre, os membros concordaram que o consumo deveria continuar restrito pelas fracas condições do mercado de trabalho, a menor riqueza doméstica, o aperto na oferta de crédito e o crescimento modesto da renda " , acrescenta o documento. O gasto das empresas em equipamentos e software também cresceu, mas, segundo o Fed, isso ocorreu mais em função da manutenção das instalações e da atualização de sistemas do que da expansão de capacidade. " Os ganhos na produção industrial foram impulsionados pela demanda crescente de parceiros do comércio exterior, especialmente economias emergentes. " (Paula Cleto | Valor)

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