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06/04/2010 - 18h06

Ibovespa recua e interrompe sequência de seis altas

SÃO PAULO - Embora tenha apresentado volatilidade ao longo da jornada, com máxima diária de 71.711 pontos, o Ibovespa encerrou os negócios desta terça-feira em baixa. Os investidores aproveitaram os seis últimos pregões de valorização para realizar lucros.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 0,27%, aos 71.095 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,404 bilhões.

Nos Estados Unidos, as bolsas encerraram os negócios sem direção única. Enquanto o índice Dow Jones registrou baixa de 0,03%, o Nasdaq teve ganhos de 0,30% e o S & P 500 subiu 0,17%.

A atenção do mercado, em um dia esvaziado de indicadores, ficou voltado apenas à divulgação da ata referente à última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

No documento, a instituição reforçou que o risco que uma elevação prematura dos juros poderia trazer à economia dos Estados Unidos é maior do que os problemas que poderiam ser causados por um ajuste mais tardio. No último encontro, realizado no dia 16 de março, o Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo entre zero e 0,25% ao ano.

Segundo a ata, quase todos os integrantes do comitê acreditam que o cenário atual, de inflação baixa, expectativas inflacionárias estáveis e menor uso da capacidade instalada, justifica a manutenção do juro perto de zero.

Num primeiro momento, as bolsas chegaram a acentuar os ganhos, tendo em vista a perspectiva de manutenção da taxa básica de juros por um longo período de tempo. A ausência de novidades do documento, entretanto, fez com que as operações voltassem ao "ritmo normal".

"Em resumo, temos uma política monetária com juros bastante baixos, com perspectiva de atividade melhor e inflação ainda baixa. E a inflação era justamente o que poderia incomodar o Fed e não vai. O risco só surgirá quando o hiato do produto estiver próximo a zero e isso vai demorar muito tempo. Este não é um ambiente propício para aparecer inflação", comentou o economista do Modal Asset Management, Ivo Chermont.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, assinala que os dados da ata apenas respaldam a manutenção da política de juros baixos.

"O quadro mostra que o Fed está bastante preocupado com o risco de deflação, com a economia ainda bastante fragilizada, apesar dos sinais de melhora", ressaltou.

Segundo o economista, a queda da Bovespa foi um movimento normal de realização, depois da longa sequência de ganhos.

No cenário externo, rumores dando conta de que a Grécia estaria evitando a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) no acordo de resgate trouxeram agitação para o mercado e resultaram no aumento dos custos de financiamento da dívida grega.

O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, tratou de negar veementemente a informação. "Nunca existiu nenhuma ação de nosso país para alterar os termos do acordo recente", afirmou. "O acerto é importante tanto para a Europa como para a Grécia porque estipula as condições nas quais um país será apoiado, sob determinados termos, pelos seus parceiros", acrescentou.

No mercado brasileiro, a alta das blue chips contribuiu para segurar as perdas do Ibovespa. Os papéis PNA da Vale subiram 0,36%, para R$ 49,97, e giraram R$ 659,6 milhões. Já as ações PN da Petrobras avançaram 0,19%, a R$ 36,08, com volume movimentado de R$ 485,1 milhões.

A Vale notificou a Comissão Europeia a respeito da atuação da Confederação Europeia das Indústrias de Ferro e Aço (Eurofer), que tem reclamado contra o novo sistema de preços para o minério de ferro. A empresa brasileira enviou uma carta à Comissão na qual expressa preocupação com a possibilidade de as siderúrgicas europeias associadas à Eurofer terem coordenado as negociações com as mineradoras.

"Acreditamos que qualquer comunicação ou ação coordenada provocaria sérias preocupações em relação às leis da concorrência e, nesta circunstância, gostaríamos de estimular a Comissão a investigar este tema", diz a carta, de acordo com as informações da Vale.

No dia 1 de abril, a Eurofer, protocolou solicitação de investigação dos órgãos de concorrência da União Europeia contra BHP Billiton, Vale e Rio Tinto, alegando que a alta de preço do minério pode prejudicar a recuperação econômica da Europa. Na queixa, as siderúrgicas alegam que as três gigantes do minério, detentoras de 70% dos negócios no mercado transoceânico, têm o domínio das vendas e por isso estariam operando em oligopólio. As acusações foram rebatidas pela Vale, que diz estar negociando com os clientes respeitando obrigações legais e contratuais. " Não discutimos ou compartilhamos informações sobre nossas estratégias de preços com qualquer concorrente " , diz nota da companhia. " A Vale mantém seu compromisso em ser para seus clientes uma fonte de longo prazo, estável e confiável, e espera fechar com todos os seus compradores acordos que sejam mutuamente satisfatórios. " Já a Petrobras informou na noite de ontem que bateu, em março, o recorde de exportação de petróleo, com a média diária de 733 mil barris, 113 mil barris acima do recorde anterior, de dezembro de 2008. No total, em março, a estatal exportou 22,73 milhões de barris.

Os papéis PN da TAM lideraram os ganhos do Ibovespa, ao avançarem 3,39%, a R$ 31,95. A companhia aérea fechou um acordo com a Continental Airlines para que os clientes dos programas de fidelidade de cada empresa possam acumular e resgatar pontos nos voos realizados pelas duas companhias.

Também no campo positivo, as ações Duratex ON avançaram 3,33%, para R$ 16,44, enquanto os papéis PN da Telemar subiram 2,71%, para R$ 32,5.

No sentido oposto, os papéis ON da Redecard tiveram as maiores perdas do índice, pelo segundo dia seguido, ao caírem 4,58%, a R$ 31,2.

O mercado ainda reage à decisão do conselho de administração da empresa, que aprovou a emissão de até R$ 1 bilhão em notas promissórias comerciais, na primeira operação do tipo pela companhia. Serão emitidas até 500 notas promissórias, divididas igualmente em duas séries. O valor unitário das notas será de R$ 2 milhões. Na primeira série, os papéis terão prazo de vencimento de até 330 dias, enquanto na segunda o vencimento se dará em até 360 dias. Os papéis pagarão juros correspondentes a 105,25% da taxa do DI (Depósito Interfinanceiro).

Também no campo negativo, os papéis ON e PNA da Usiminas recuaram 3,58% e 3,34%, respectivamente negociados a R$ 62,4 e a R$ 60,95.

Entre as poucas notícias corporativas, destaque apenas para o setor elétrico. Os consumidores atendidos pela Cemig terão redução nas contas de luz a partir de quinta-feira (8). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou reduções de 0,77% para os consumidores residenciais e entre 6,45% (alta tensão) e 3,09% (baixa tensão) para as indústrias. O efeito médio da correção nas tarifas será uma redução de 1,48%, segundo a Aneel.

Já as tarifas de energia dos consumidores atendidos pela CPFL Paulista terão redução média de 5,69%. Os clientes residenciais terão uma queda de 5,04%, enquanto as indústrias terão redução entre 5,04% e 10,81%, dependendo da classe de consumo.

Os papéis PN da Cemig caíram 1,23%, a R$ 29,62, enquanto as ações ON da CPFL ficaram estáveis, a R$ 37,05.

Além das blue chips, os papéis ON da Hypermarcas tiveram grande volume negociado, com giro de R$ 421,7 milhões. As ações dispararam hoje 5,56%, a R$ 24,49.

(Beatriz Cutait | Valor)

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