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06/04/2010 - 16h56

Metas da Política de Desenvolvimento Produtivo não serão cumpridas

RIO - As metas traçadas pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) para 2010 não serão atingidas, mas o governo federal não vai alterá-las.

De acordo com o diretor de planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Carlos Ferraz, a crise internacional inviabilizou que as metas fosse atingidas.

Os principais focos da PDP até 2010 são o nível de investimento chegar a 21% do Produto Interno Bruto (PIB); o aumento da participação das exportações brasileiras para 1,25% do total comercializado no mundo; a evolução do gasto privado em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB; e o aumento de 10% das pequenas e micro empresas exportadoras, sobre as 11.792 existentes em 2008.

No ano passado, por exemplo, os investimentos ficaram em 16,7% do PIB do país.

"Obviamente as metas que tínhamos de investimento, exportação, inovação e apoio à micro e pequena empresa foram afetadas por um pequeno acidente de percurso que aconteceu numa economia não nacional há um ano e meio atrás. Estou falando da crise internacional, que fez refluir as atividade econômica em todo o mundo", frisou Ferraz. "Sentimos bastante pelo lado das exportações e do investimento. As exportações explicam mais de 50% da queda da produção industrial", acrescentou.

Ferraz esteve entre os diretores do BNDES que se reuniram hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede do banco de fomento. O presidente se mostrou otimista no encontro - que reuniu a secretaria executiva da PDP, formada pelo BNDES, Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pelos ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia - e cobrou a continuidade do trabalho, inclusive com a produção de metas que definam uma política industrial até 2014.

"As metas permanecem como estão. Não atingiremos no fim de 2010. É problema sério? É problema sério, mas nós tivemos um problema sério na economia não-brasileira", acrescentou Ferraz. "O que foi feito foi repensar as metas, inclusive se são suficientes e se deveríamos revê-las, para um período mais longínquo, pensando em 2014. Se a PDP para 2014 será usada pela nova administração, deveremos perguntar para nova administração", frisou.

Questionado sobre a possibilidade de o BNDES precisar de uma nova injeção de recursos para fazer frente às necessidades de expansão da economia brasileira, Ferraz se limitou a comentar que o banco de fomento continua com musculatura para apoiar as necessidades da economia brasileira. O economista também fez questão de frisar que mais de 95% das operações idealizadas pela PDP, lançada em maio de 2008, foram operacionalizadas, o que, segundo ele, impressionou Lula positivamente.

"Do ponto de vista de avaliação, temos avaliações tanto da CNI (Confederação Nacional da Indústria), como da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) de que a política é positiva. O seu lado negativo é que poderíamos ser mais eficientes em entregar o trabalho com menor tempo", disse. "Há outra crítica feita pelo setor privado que é o baixo conhecimento que existe na sociedade brasileira sobre a disponibilidade dos incentivos e dos instrumentos disponíveis. Para isso é feito um esforço da PDP de chegar aos municípios e estados mais longínquos", ponderou.

(Rafael Rosas | Valor)

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