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08/04/2010 - 11h14

Ante apreensão no mercado, Trichet diz não esperar default da Grécia

SÃO PAULO - O Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afastou a perspectiva de que Grécia não cumpra com seus pagamentos e disse que não há motivos para não se confiar que o plano acertado para socorrer Atenas possa ser implementado caso haja necessidade.

Na avaliação de Trichet, o plano alcançado no mês passado entre líderes europeus e com participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) é exequível e representa um "compromisso sério" para ajudar Atenas a atender a suas necessidades de financiamento.

Trichet recebeu bem uma eventual intervenção do Fundo, depois de frisar que era preciso que os governos da zona do euro participassem do processo.

Ele afirmou que o BCE sempre esteve a favor do apoio do FMI, apesar de alguns integrantes do conselho de governo da instituição manifestarem contrários a isso.
O representante do BC europeu explicou que não concordava com uma intervenção apenas do FMI, sem contar com os líderes europeus e BCE, uma vez que a área do euro é uma união monetária e econômica.

O spread entre a taxa de rendimento dos bônus do governo da Grécia de 10 anos e os do governo da Alemanha (que servem de referência) ganhou amplitude nesta quinta-feira e registrou a maior abertura desde a criação do euro. Os agentes se mostraram incertos em relação ao fato de a União Europeia poder oferecer ajuda emergencial para tentar solucionar a crise da dívida da Grécia.

O spread entre os bônus do governo grego e os do alemão avançou mais de 40 pontos-base, para 456 pontos-base. A taxa de rendimento do bônus grego de 2 anos aumentou mais de 100 pontos-base, para quase 8%.

Pelo terceiro dia consecutivo, a Bolsa da Valores da Grécia registrou queda. Na jornada desta quinta-feira, ficou claro o nervosismo dos investidores com a condição das finanças do país.

"O default não é uma opção para a Grécia", disse Trichet a jornalistas reunidos em Frankfurt. "Repito que o que é importante é a iniciativa que está sendo tomada e implementada pelo governo e Parlamento gregos", acrescentou.

Sobre a decisão do BCE de manter a taxa de juro em 1%, o dirigente da instituição comentou que o custo do dinheiro permanece em um nível adequado e que as expectativas de inflação continuam "firmemente ancoradas".

(Juliana Cardoso | Valor, com agências internacionais)

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