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08/04/2010 - 12h43

Bovespa supera 71 mil pontos, apesar da queda das blue chips

SÃO PAULO - Depois de uma manhã marcada pelo pessimismo dos investidores, em meio à preocupação com a Grécia e com o aumento inesperado dos pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu se descolar do mercado externo e segue sustentando um desempenho positivo ao fim da primeira etapa dos negócios.

Com mínima de 70.461 pontos e máxima de 71.116 pontos, próximo das 12h35, o Ibovespa subia 0,33%, a 71.028 pontos, com giro financeiro de R$ 2,38 bilhões. Ontem, o índice havia recuado 0,43%, aos 70.792 pontos.

Já em Wall Street, o índice Dow Jones cedia 0,18%, enquanto o Nasdaq recuava 0,28% e o S & P 500 tinha queda de 0,20%.

Diante da insegurança do mercado em relação ao fato de a União Europeia poder oferecer ajuda emergencial para tentar solucionar a crise da dívida da Grécia, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, discursou e afastou a perspectiva de que o país não cumpra com seus pagamentos e disse que não há motivos para não se confiar que o plano acertado para socorrer Atenas possa ser implementado caso haja necessidade.

Na avaliação de Trichet, o plano alcançado no mês passado entre líderes europeus e com participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) é exequível e representa um "compromisso sério" para ajudar Atenas a atender a suas necessidades de financiamento.

Trichet recebeu bem uma eventual intervenção do Fundo, depois de frisar que era preciso que os governos da zona do euro participassem do processo.

O spread entre a taxa de rendimento dos bônus do governo da Grécia de 10 anos e os do governo da Alemanha (que servem de referência) ganhou amplitude nesta quinta-feira e registrou a maior abertura desde a criação do euro.

"O default não é uma opção para a Grécia", disse Trichet a jornalistas reunidos em Frankfurt. "Repito que o que é importante é a iniciativa que está sendo tomada e implementada pelo governo e Parlamento gregos", acrescentou.

Nos Estados Unidos, ainda pesaram sobre o pregão os dados do Departamento do Trabalho. De acordo com a instituição, os novos pedidos de seguro-desemprego no país aumentaram em 18 mil na semana fechada em 3 de abril, na comparação com uma semana antes, para 460 mil.

Na avaliação da sócia da Oren Investimentos, Daniella Marques, a alta da Bovespa apresentada nesta jornada corresponde apenas a uma recuperação técnica.

"A Bovespa está um pouco atrasada em relação às outras bolsas do mundo. Ela se recuperou um pouco hoje em cima dos setores da economia doméstica, com destaque para a retomada das construtoras, que vinham tendo um desempenho muito mal em relação ao Ibovespa", pontuou.

Ao fim da primeira etapa do pregão, as empresas ligadas ao segmento de construção estavam entre as maiores altas do índice. Há pouco, as ações ON da PDG Realty aumentavam 3,52%, a R$ 14,96, enquanto os papéis ON da MRV avançavam 2,60%, a R$ 12,20. O Índice Imobiliário (Imob), que reúne os principais papéis do setor, também tem alta de 1,30%.

Também figuram na lista de maiores valorizações os papéis PN da GOL, que sobem 3,44%, para R$ 23,71. A companhia aérea reportou crescimento de 36,8% no movimento de passageiros em seus voos no mês passado, em relação ao mesmo mês de 2009.

Nesta base de comparação, o tráfego nos voos domésticos subiu 38,5%, enquanto o movimento nos voos internacionais mostrou incremento de 23,6%.

Em nota, a companhia disse que os resultados do mercado doméstico e do sistema total são recordes para um mês de março, desde o início de suas operações, em 2001.

Já entre as principais baixas do Ibovespa apareciam os papéis PN da Klabin, com recuo de 2,09%, a R$ 5,60, as ações ON da Natura, com baixa de 2,01%, a R$ 36,04, e as PNB da Copel, que tinham desvalorização de 1,46%, a R$ 32,26.

As "blue chips" também operavam no campo negativo, tendo em vista a queda das commodities. Há instantes, as ações PN da Petrobras caíam 0,55%, a R$ 35,60, com volume movimentado de R$ 174,3 milhões, enquanto os papéis PNA da Vale recuavam 0,37%, a R$ 50,01, com giro de R$ 322,3 milhões.

Já as ações ON da OGX Petróleo movimentam R$ 97 milhões, alta de 1,39%, a R$ 17,46. A empresa acusou hoje a presença de hidrocarbonetos em seção do poço 1-OGX-7A-RJS, localizado no bloco BM-C-42, na Bacia de Campos.

Fora do Ibovespa, destaque de alta para os recibos de ações da Laep, que disparavam, minutos atrás, 11,18%, a R$ 1,59.

Matéria publicada hoje no Valor revelou que a Parmalat conseguiu reduzir, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), uma multa de R$ 14 bilhões para R$ 12 milhões. A decisão é da 4ª Câmara da 1ª Seção do órgão - última instância administrativa para os contribuintes recorrerem de autuações fiscais. Trata-se do maior auto de infração, que se tem notícia, em relação ao faturamento de uma empresa. A autuação refere-se a 1999, período em que a Parmalat estava em concordata e registrou um faturamento de R$ 1,4 bilhão. A multa, porém, foi lavrada em 2004 motivada pelo pagamento de PIS, Cofins, CSLL e Imposto de Renda.
No mercado brasileiro, o fluxo estrangeiro na Bovespa está positivo em R$ 1,075 bilhão no acumulado do mês, até o dia 6, resultado de compras no valor de R$ 5,708 bilhões e de vendas de R$ 4,632 bilhões. Apenas na terça-feira, o estrangeiro colocou R$ 290 milhões no mercado. Apesar disso, o Ibovespa recuou 0,27% naquele dia.

No ano, o resultado da atuação do investidor internacional na bolsa brasileira está positivo em R$ 871 milhões.

(Beatriz Cutait | Valor)

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