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08/04/2010 - 16h22

DIs curtos sobem enquanto mercado discute Selic

SÃO PAULO - Os indicadores de inflação apresentados hoje não serviram para dar grande direção ao mercado de juros futuros, mas alimentaram a falta de consenso entre os participantes do mercado quanto ao futuro dos preços e o formato do ciclo de aperto monetário esperado para começar em 28 de abril.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 apontava estabilidade a 8,68%. Julho de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 9,27%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também ganhou 0,01 ponto, a 10,46%.

Entre os vencimentos longos, os agentes continuaram exigindo maior prêmio para fazer aplicações. O DI para janeiro de 2012 subiu 0,02 ponto, a 11,70%. Janeiro de 2013 ganhou 0,04 ponto, a 12,07%, e janeiro 2014 também acumulou 0,04 ponto, projetando 12,23%.

Até as 16h15, foram negociados 759.655 contratos, equivalentes a R$ 68,33 bilhões (US$ 38,69 bilhões), 16% abaixo do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 249.635 contratos, equivalentes a R$ 23,197 bilhões (US$ 13,13 bilhões).

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março subiu 0,52%, ficando ao redor das expectativas de 0,50%, e abaixo do 0,78% registrado em fevereiro. Já em 12 meses, o índice subiu de 4,83% a 5,17%.

Segundo o Santander, levando em conta outros aumentos de preços já agendados, como medicamentos e minério de ferro, a inflação medida pelo índice consolida seu caminho para cima dos 5% nos próximos meses. Tal leitura levou a instituição a rever sua projeção de IPCA para o ano de 5,10%, para 5,50%.

Com tal visão sobre a evolução preços, o Santander faz parte do grupo que trabalha com elevação de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de abril. A instituição alterou sua posição, que antes era de 0,5 ponto, mas não fez mudança na expectativa quanto ao ciclo total de aperto, que segue em 325 pontos, ou Selic em 12%.

Já a CM Capital Markets, acredita que o IPCA em 0,50% endossa aposta de alta de meio pontos no Copom deste mês. Para a instituição, o fato de o IPCA não ter apresentado nenhuma surpresa negativa inibe novas altas expressivas das expectativas de inflação.

Na avaliação da corretora, deve ocorrer alta nas projeções de inflação do BC, em virtude da deterioração das expectativas de mercado já ocorrida desde a última reunião. Mas o prognóstico de IPCA para 2011 dentro do cenário de mercado, que já contempla as altas de 0,5 ponto na Selic, ainda deverá se situar abaixo do centro da meta. E isso permite ao BC seguir a estratégia de saída delineada em dezembro do ano passado.

Para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, o IPCA do mês não tem influência sobre a decisão de política monetária do Banco Central. A desaceleração do indicador era algo esperado e, agora, o que passa a pesar mais é a questão da atividade.

A força da demanda doméstica se apresenta nos componentes de serviços do IPCA. A variação positiva de itens como despesa pessoal é um claro sinal de demanda, segundo Velho. "Isso corrobora com a ideia de que o ajuste de juros têm que acelerar."
Outro ponto descartado pelo especialista, é que mesmo considerando um ajuste de 250 pontos na taxa Selic, a expectativa de inflação de 2011 não para de piorar.
Ou seja, o ajuste que o BC terá de fazer tem ser mais acentuado para fazer as projeções convergirem para o centro da meta. Para o economista, esse ajuste seria de 300 a 350 pontos base, o que implica em taxa básica de 11,75% a 12,25%.

Para Velho, o BC terá de abandonar seu plano inicial, que sugeria altas de 0,5 ponto, e adiantar o ciclo de ajuste.

Outro fator que aponta para a necessidade de mudança de postura é o campo externo, que sugere maior pressão via preço de commodities.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 398.850 Letras Financeiras do Tesouro (LFT), do lote de 500 mil que ofertou, levantando R$ 1,67 bilhão. Também foi colocado todo o lote de 3,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a R$ 2,84 bilhões. Ainda foram vendidas 1,75 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 1,61 bilhão.
(Eduardo Campos | Valor)

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