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09/04/2010 - 18h14

Bovespa se aproxima dos 72 mil pontos, mas investidores realizam lucro

SÃO PAULO - A valorização dos mercados americano e europeu não foi suficiente para segurar a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no campo positivo. A alta de 1,40% de seu principal índice ontem deixou a sexta-feira propícia para um movimento de realização de lucros, embora o Ibovespa tenha chegado bem próximo dos 72 mil pontos.

Após oscilar entre 71.306 pontos e 71.989 pontos, o índice fechou o dia com baixa de 0,51%, aos 71.417 pontos. O volume financeiro negociado atingiu R$ 5,874 bilhões.

"Ao se aproximar dos 72 mil pontos, os investidores podem ter optado por uma realização. Também pesou sobre o índice o papel da Petrobras, ainda com as incertezas relacionadas à capitalização. De toda forma, a tendência é positiva para o Ibovespa, ainda mais se sair a ajuda para a Grécia na próxima semana", afirmou o economista da M2 Investimentos, Roberto Alem.

Nesta semana, que contou com três pregões positivos, o Ibovespa registrou valorização de 0,40% e, no mês, a alta acumulada corresponde a 1,49%. Em 2010, o índice já subiu 4,12%.

Em Wall Street, o Dow Jones atingiu máxima de 11.000,83 pontos, o que não era visto desde o fim de setembro de 2008, e registrou alta de 0,64%, aos 10.997,35 pontos. Já o Nasdaq teve ganhos de 0,71%, aos 2.454,05 e o S & P 500 subiu 0,67%, aos 1.194,37.

O mercado internacional teve mais um dia agitado, com o foco na Grécia. Apesar de a Fitch Rating ter rebaixado a nota de crédito da Grécia de"BBB+"para"BBB-", com perspectiva negativa, as bolsas europeias seguiram positivas, já que a decisão não foi uma surpresa.

Os investidores deram maior destaque para as declarações do encontro entre o premiê italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em Paris. Eles disseram que podem apoiar a Grécia para que o país supere a crise fiscal e prometeram ampliar os esforços.

O ministro das Finanças, George Papaconstantinou, afirmou ainda que o país não pediu a ativação do plano de resgate da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) criado para evitar um default, mas ressaltou que estão sendo analisados os detalhes de como o plano poderia funcionar.

O dia foi fraco de indicadores e o único destaque ficou com a divulgação dos dados sobre estoques no atacado dos Estados Unidos, que aumentaram 0,6% em fevereiro, acima da expectativa de alta de 0,4% dos analistas, o que também deu impulso ao otimismo do mercado.

No front doméstico, a Bovespa foi pressionada principalmente pelo desempenho dos papéis PN da Petrobras, que movimentaram R$ 605,5 milhões e recuaram 1,61%, a R$ 35,23.

A cotação do petróleo WTI, negociado em Nova York, registrou hoje a terceira baixa consecutiva. O preço do produto, no contrato com vencimento em maio, encerrou a sessão em queda de 0,55%, a US$ 84,92.

Também contribuíram para a perda do Ibovespa as ações BM & FBovespa ON, que tiveram desvalorização de 1,50%, a R$ 12,40, e os papéis Gerdau PN, que se depreciaram em 0,44%, a R$ 31,56.

Entre as maiores altas do índice estiveram os papéis Klabin PN, com alta de 3,21%, a R$ 5,78, e as ações JBS ON, com valorização de 2,66%, para R$ 8,46. Também registram ganhos expressivos os papéis PN e ON da Telemar, que se apreciaram em 2,02% e 1,31%, respectivamente cotados a R$ 33,24 e a R$ 38,41.

O mercado reagiu aos rumores de que o BNDES sugeriu ao governo o uso da Oi para desenvolver a política pública de acesso à internet. As blue chips da Vale também se apreciaram em 0,17%, a R$ 51,04, e tiveram giro de R$ 432,9 milhões.

Já o campo negativo foi liderado pela trajetória dos papéis de construção. Enquanto as ações MRV ON cederam 3,51%, a R$ 12,08, os papéis Gafisa ON caíram 2,47%, a R$ 12,2, e PDG Realty se desvalorizaram em 2,35%, a R$ 14,9.

Também encerraram o dia em baixa as ações ON da mineradora MMX, que caíram 2,4%, a R$ 12,97.

Fora do Ibovespa, destaque positivo para as ações ON da Brasil Ecodiesel, que avançaram 5,26%, para R$ 1,2. Os investidores mostraram uma reação favorável à notícia de que a Justiça Federal do Rio de Janeiro decidiu impedir a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de licitar a outras empresas volumes arrematados pela Ecodiesel no primeiro lote do 17º leilão de biodiesel.

No setor de papel e celulose, os papéis PNA da Suzano recuaram 3,82%, a R$ 23,18. Matéria publicada na edição de hoje do Valor revelou que a empresa está estudando a possibilidade de lançar uma oferta de ações preferenciais.
(Beatriz Cutait | Valor)

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