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09/04/2010 - 16h21

DIs longos sobem forte sinalizando incerteza no mercado

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros, em especial os de prazo mais dilatado, completaram quatro pregões seguidos de alta, voltando a patamares não observados desde janeiro.
Boa parte dessa piora de percepção captada ao longo da semana se deve às diferentes interpretações existentes no mercado quanto ao futuro da política monetária. Os agentes seguem sem consenso sobre qual será a postura do Banco Central na reunião de abril e como pode ser o comportamento futuro da inflação.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercados & Futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 subia 0,01 ponto, a 8,69%. Julho de 2010 ganhava 0,02 ponto, a 9,29%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, ganhava 0,06 ponto, a 10,52%.

Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 subiu 0,10 ponto, a 11,79%. Janeiro de 2013 também ganhou 0,10 ponto, a 12,17%, e janeiro 2014 acumulou 0,11 ponto, projetando 12,34%.

Até as 16h15, foram negociados 1.036.205 contratos, equivalentes a R$ 93,35 bilhões (US$ 52,43 bilhões), 36% acima do registrado ontem e maior volume desde 25 de março. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 414.920 contratos, equivalentes a R$ 38,55 bilhões (US$ 21,65 bilhões).

Como explicou o sócio-gestor da Leme Investimento, Paulo Petrassi, sempre que há dúvida, o mercado pede mais prêmio de risco. E nesta sexta-feira, alguns fatores contribuíram para aumentar esse ambiente de incerteza.

Circula pelas mesas de operação que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrará forte criação de vagas em março. O que acabaria dando mais força ao grupo de investidores que espera uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic. Fora isso, as expectativas de inflação captadas pelo Focus devem mostrar nova piora na segunda-feira.

Ainda de acordo Petrassi, o discurso do presidente do Banco Central Henrique Meirelles agora à tarde também não agradou. Meirelles voltou a falar que está comprometido como o regime de metas de inflação e deu a entender que não se pode abandonar o controle de preços para proporcionar um crescimento maior.

Segundo o especialista, é um tanto sem sentido o presidente da autoridade monetária vir a mercado para falar que vai buscar o centro da meta."Por que o Meirelles precisa via a mercado e falar o que todo mundo já sabe?", questiona.

Para Petrassi, esse tipo de pronunciamento, transmite a ideia de que há uma divisão dentro do governo, que há falta de consenso sobre como será feita a condução da política monetária até o final do ano.

Além das questões domésticas, o gestor chama atenção o cenário externo. O problema da Grécia só se agrava e isso tem que ser considerado pelo Banco Central, pois o momento da alta de juros no mercado local pode coincidir com uma período de restrição de liquidez no mercado externo em função das dúvidas envolvendo a Grécia.

(Eduardo Campos | Valor)

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