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09/04/2010 - 14h54

Mantega considera positiva possibilidade de flexibilizar câmbio

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou hoje positiva a hipótese discutida pelo governo da China para flexibilizar o câmbio. A medida atenderia aos interesses de alguns líderes mundiais, que pedem a Pequim uma valorização da moeda chinesa para dar mais competitividade às suas indústrias.

"Se de fato o governo chinês flexibilizar o seu câmbio e permitir que ele se valorize, será muito bom para economia mundial. Há uma pressão muito forte dos Estados Unidos e nossa também neste sentido. O setor manufatureiro fica prejudicado com esse câmbio", disse Mantega.

Há expectativa de que o governo chinês esteja prestes a anunciar que o yuan flutue e se valorize. Com a desvalorização da moeda, Pequim conseguiu até o momento tornar suas exportações extremamente competitivas em diversos mercados estrangeiros.
Com uma mudança de posição, outros países exportadores, especialmente os asiáticos, podem seguir a mesma estratégia. Desta forma, esperam não perderem mercado nos Estados Unidos, maior consumidor, para a China.

Mantega também comentou o resultado de março do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve alta de 0,52%, puxado pela pressão no preço dos alimentos. Segundo o ministro, a inflação está sob controle e o resultado é passageiro e reflete a sazonalidade do período, tradicionalmente marcado pelas chuvas.

Ele acredita que, agora, a inflação entrou numa trajetória descendente. Para justificar sua avaliação, ressaltou que o índice do mês passado já foi menor do que o registrado em janeiro e fevereiro.

"O fundamental é dizer que a inflação não é de demanda. Houve um choque de oferta por causa das chuvas. Anotem o que eu estou dizendo: a inflação vai diminuir nos próximos meses", projetou Mantega. Ele, no entanto, admitiu uma pressão moderada no setor de serviços em função do aumento da renda da população.

"É claro que a economia brasileira está um pouco mais aquecida e ocorre uma elevação de preços em relação ao ano passado, que foi um ano de baixo nível da atividade. Mas estamos com os preços sob controle e com crescimento sustentável", acrescentou o ministro, destacando que o governo está vigilante e pode baixar as alíquotas de importação para setores que abusarem dos preços.
O IPCA acumula uma alta de 2,06% no primeiro trimestre de 2010. Trata-se do maior nível para o período desde 2003.

(Fernando Taquari | Valor)

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