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09/04/2010 - 12h18

Mercado pressiona BC via aumento de juros futuros

SÃO PAULO - Os juros futuros marcam o quarto dia seguido de alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), especialmente os contratos de prazo mais dilatado.
Por volta das 12h15, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio não registrava negócios. Julho de 2010 subia 0,01 ponto, a 9,28%. E janeiro de 2011 ganhava 0,03 ponto, a 10,49%.

Já entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 subia 0,07 ponto, a 11,77%. Janeiro 2013 ganhava 0,09 ponto 12,16%. E janeiro 2014 também avançava 0,08 ponto, a 12,31%.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luiz Otávio de Souza Leal, comentou que essa piora na curva futura acontece desde a publicação do Relatório Inflação, que deixou transparecer um Banco Central mais leniente com a inflação do que o mercado estava acostumado.
Segundo Leal, o mercado aumentou o prêmio de risco, pois começou a colocar em dúvida se o BC está correndo atrás da meta de inflação da mesmo forma que fazia antigamente. "Isso é uma forma de o mercado cobrar uma reação do BC."
A isso, diz o economista, somaram-se alguns dados como piora das expectativas de inflação, sinalização de forte produção da indústria, aumento do consumo de energia e IPCA com inflação elevada nos componentes de serviços.

Esse cenário reforça a ideia de que o Banco Central ficou atrás da curva, ou seja, demorou a justar o juro básico, quando optou pela estabilidade da Selic em 8,75% na reunião de março.

Leal observou que, agora, o mercado, além de apostar contra o plano original de alta de 0,5 ponto em abril, começa a acreditar que o ciclo vai ser prolongado para além de 2010. Por isso, esse aumento de prêmio nos vencimentos longos.

"Pegou muito mal o BC deixar claro que abriu mão da inflação de 2010. Ainda mais e um momento delicado, no qual temos uma discussão política em meio à questão técnica. Foi um erro de estratégia", pondera L Lembrando que vale para o BC a máxima "não basta ser honesto, tem que parecer honesto". Ou seja, mesmo que não exista influência política, o BC tem que fazer-se acreditar nisso.

Leal avalia que o BC está mesmo atrasado no ajuste da taxa básica de juro, mas não espera que a autoridade monetária vá abandonar seu plano inicial, que sugere alta de 0,5 ponto na taxa básica.

Para o economista, o BC tem justificativa para isso, pois o seu modelo, alimentado com previsões de mercado, sugere inflação convergindo para a meta em 2011. Outro ponto é que se o BC der 0,75 ponto em abril cria ruído de que assumiu o erro, ou seja, admite que teria de ter subido a taxa em março.

"Que o BC está atrás da curva não tenho dúvida, mas não creio que ele vá assumir que errou. Ele não perdeu a credibilidade, mas ela ficou arranhada."
(Eduardo Campos | Valor)

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