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12/04/2010 - 12h03

DIs recuam, apesar de piora nas projeções de inflação

SÃO PAULO - A nova piora nas projeções de inflação não assusta os investidores, que aproveitam a segunda-feira para ajustar a curva de juros futuros para baixo depois de uma acentuada puxada de alta registrada ao longo da semana passada.

O diretor de gestão da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, comenta que, além do movimento de realização de lucros, a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) também contribui para o ajuste.
O índice que mede a inflação no atacado registrou alta de 0,27% agora em abril. A taxa ficou abaixo daquela apurada em mesmo intervalo de março, de 0,95%, e das expectativas que rondavam 0,40%.

Por volta das 11h50, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio não registrava negócios. Julho de 2010 subia 0,01 ponto, a 9,31%. Mas janeiro de 2011 recuava 0,03 ponto, a 10,51%.

Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 caía 0,04 ponto, a 11,75%. Janeiro 2013 também recuava 0,04 ponto 12,13%. E janeiro 2014 devolvia 0,03 ponto, a 12,27%.

Sem grande surpresa, o Boletim Focus, feito pelo Banco Central (BC), mostrou nova deterioração nas expectativas de inflação. A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2010 subiu de 5,18% para 5,29%, 12ª semana seguida de alta. Já para 2010 foi registrado o segundo reajuste consecutivo, com o IPCA projetado passando de 4,74% para 4,8%.

Segundo De La Rocque, essa movimento das projeções não causa grande surpresa. O mercado já trabalha com IPCA acima do centro meta para 2010 e o prognóstico para 2011 não piorou de forma tão acentuada.

Apesar dessa constante piora de projeções e do maior crescimento projetado, os agentes ainda não mudaram seu prognóstico para a taxa básica de juros. A mediana segue em 11,25% no final do ano, o que implica em um ciclo de alta de 250 pontos base na taxa Selic.
Pelo lado do crescimento, o Focus apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 passou pela quarta reavaliação seguida, subindo de 5,52% para 5,60%.

No entanto, os investidores não trabalham mais com uma redução de taxa de juros em 2011. A projeção foi revista de 11%, para taxa de 11,25% no final do período.

Olhando para a curva futura, o gestor aponta que a precificação de mercado já se aproxima mais de 0,75 ponto de alta agora em abril do que para 0,5 ponto. Mas acredita que a divisão de apostas seguirá até a véspera da reunião.

Na agenda da semana, atenção para as vendas varejistas de fevereiro, que serão divulgadas na quarta-feira.

(Eduardo Campos | Valor)

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