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12/04/2010 - 16h29

Projeção de IPCA piora, mas DIs recuam em dia de correção

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros longos conservaram viés de baixa da abertura ao fechamento dos negócios nesta segunda-feira, devolvendo, assim, parte dos prêmios de risco acumulados ao longo da semana passada. Já os vencimentos curtos mostraram alguma resistência à queda.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercados & Futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 subia 0,01 ponto, a 8,70%. Julho de 2010 ficou estável a 9,31%. Já janeiro de 2011, o mais líquido do dia, perdeu 0,02 ponto, a 10,52%.

Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 cedeu 0,04 ponto, a 11,75%. Janeiro de 2013 cedeu 0,05 ponto, a 12,12%, e janeiro 2014 recuou 0,04 ponto, projetando 12,26%.

Até as 16h15, foram negociados 398.515 contratos, equivalentes a R$ 35,09 bilhões (US$ 19,79 bilhões), cerca de um terço do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 135.510 contratos, equivalentes a R$ 12,59 bilhões (US$ 7,10 bilhões).

Segundo o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, o recuo nos vencimentos deve ser encarado como uma realização de lucros depois do ajuste de alta observado ao longo da semana passada. Uma conclusão diferente dessa fica difícil de ser tirada em função da baixa variação nos prêmios e do reduzido volume do dia.

Cabe lembrar que o ajuste de baixa aconteceu apesar da piora de projeções contidas no Boletim Focus, do Banco Central.
Pela 12ª semana consecutiva, a mediana das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou alta, passando de 5,18%, para 5,29% no encerramento de 2010. Para 2011, a previsão aumentou de 4,74% para 4,80%.

Segundo Campos Neto, o mercado não está seguro em cravar uma alta mais agressiva do Banco Central na reunião do final do mês apesar dessa piora de expectativas.

O economista explica que há uma diferença entre o que BC deveria fazer e o que ele efetivamente vai fazer. No caso, a autoridade monetária deveria subir a taxa em 0,75 ponto percentual, mas deve começar o ciclo com ajuste de 0,5 ponto, pois essa foi a sinalização transmitida ao mercado.

"Eu também estou nessa linha. Pelos o que temos de informação do BC, ele vai iniciar o ciclo de ajuste com meio ponto de alta", explica.

De volta à agenda do dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que mostrou alta de 0,27% agora em abril. A taxa ficou abaixo daquela apurada em mesmo intervalo de março, de 0,95%, e das expectativas que rondavam 0,40%.

Segundo Campos Neto, esse número de IGP é apenas um alívio passageiro, já que em breve o indicador de preços no atacado deve começar a captar o reajuste no preço do minério de ferro e aço.

Olhando mais à frente, o economista não descarta a possibilidade de que esses reajustes cheguem aos consumidores do varejo, pois o ambiente marcado por demanda forte aumenta a chance de repasse.

(Eduardo Campos | Valor)

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