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12/04/2010 - 16h34

Serra diz não se sentir atingido por declaração de Dilma sobre exílio

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse hoje que não se sentiu atingido pela declaração da adversária Dilma Rousseff (PT) sobre os exilados da ditadura militar (1964-1985). No sábado, durante evento no ABC com o presidente Lula, a petista afirmou que"pode apanhar, mas não foge da luta".
"Eu não fujo da situação quando ela fica difícil. Eu posso apanhar, ser maltratada, como eu já fui, mas não fujo da luta. Em cada época da minha vida, eu fiz o que fiz porque acreditava naquilo", disse Dilma.
Alguns setores do PSDB, contudo, entenderam a declaração como uma crítica indireta a Serra, que com o golpe em 1964, ficou exilado no Chile. Na época, o tucano era o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Hoje, em entrevista à rádio Jovem Pan, Serra garantiu que não entendeu o comentário, mas lembrou de outros políticos brasileiros, como Leonel Brizola, que foram para exílio para escapar da prisão."Quem saiu, saiu para não ir para a prisão com condenação bastante dura. Confesso que não entendi porque seria um desrespeito a essas pessoas".

No Twitter, Dilma ressaltou que em nenhum momento teve a intenção de criticar os exilados. Segundo ela, essa avaliação foi feita de má fé.
"O exílio significou a diferença entre a vida e a morte para os exilados brasileiros. Grandes amigos meus corajosos e valorosos só tiveram uma saída na ditadura, se exilar", escreveu.
Apesar das explicações, o presidente do PPS, Roberto Freire, não perdeu a oportunidade para, em nota, alfinetar Dilma. Ele comparou as declarações da petista às do general Leônidas Pires Gonçalves, que por um período chefiava o DOI-CODI e se referia aos exilados como fugitivos do regime.
"Essa distorção infame do general contra os brasileiros que lutavam contra o regime ditatorial de 64 e que tiveram que exilar jamais poderia servir de mote para a insensatez de Dilma", criticou Freire.
Ele também lembrou a recente declaração do presidente Lula sobre o preso político, em Cuba, Orlando Zapata, que morreu no dia 23 de fevereiro após 85 dias em greve de fome. Ele protestava contra as condições carcerárias dos presos políticos.
Lula comparou Zapata aos presos das cadeias paulistas."Logo vem outra sandice, desta vez para macular a luta dos brasileiros exilados", acrescentou Freire.

(Fernando Taquari | Valor)

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