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15/04/2010 - 13h12

ArcelorMittal mantém conversas com Vale sobre nova siderúrgica no ES

SÃO PAULO - O presidente mundial da ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, confirmou hoje conversas com a Vale envolvendo a parceria na construção de uma siderúrgica no Espírito Santo, a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU).
A mineradora brasileira busca um parceiro desde a desistência da chinesa Baosteel no projeto, que prevê uma capacidade de produção anual de 5 milhões de toneladas de placas.

No entanto, o executivo do maior grupo produtor de aço do mundo informou em entrevista à imprensa que as conversas com a Vale não tiveram grandes avanços e que eventuais aportes na CSU não estão dentro do programa de investimentos de US$ 5 bilhões em andamento no Brasil.

Entre os principais projetos desse plano está a meta da siderúrgica de elevar a produção de minério de ferro no Brasil de 5 milhões de toneladas por ano para um volume anual de 15 milhões de toneladas, que faz parte de uma antiga ambição da ArcelorMittal de ter 75% de autosuficiência nesse minério no mundo.

No entanto, a empresa não considera no momento aquisição de minas no Brasil, mantendo o foco no desenvolvimento dos projetos já existentes.

Para o empresário indiano, os custos das matérias-primas representam o grande desafio ao setor siderúrgico no mundo, principalmente após os expressivos reajustes aplicados neste ano sobre os preços do minério de ferro e do carvão.
Durante apresentação no Congresso Brasileiro do Aço - organizado em São Paulo pelo Instituto Aço Brasil (IABr) -, Mittal considerou o Brasil como um"grande lugar"para a produção de aço, devido a suas fartas reservas de recursos minerais e grande potencial de crescimento do consumo, já que o país tem necessidades de investimentos em infraestrutura.

Não obstante, o executivo apontou preocupações sobre a competitividade brasileira, em razão da valorização do real e dos elevados custos de investimentos em projetos no país.

Na avaliação de Mittal, a indústria siderúrgica já alcançou padrões sustentáveis de crescimento no Brasil, na Índia e na China. Por outro lado, o mercado ainda consome estoques na Europa, onde a atividade do setor não deverá retomar o nível pré-crise ainda neste ano. O executivo observa a mesma tendência para os Estados Unidos.

Segundo ele, a crise financeira - que reduziu o uso da capacidade instalada pela metade em siderúrgicas na Europa, nos Estados Unidos e mesmo no Brasil - comprovou que o setor tem flexibilidade para enfrentar os choques econômicos.
"Essa crise nos levou a pensar nosso negócio de forma diferente", afirmou."Aprendemos que a ArcelorMittal pode ser flexível à demanda e que podemos ser uma organização mais enxuta", afirmou Mittal, acrescentando que a crise levou a empresa a se concentrar no crescimento em mercados desenvolvidos, menos atingidos pelas turbulências geradas pelo mercado hipotecário americano.
(Eduardo Laguna | Valor)

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