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15/04/2010 - 17h49

Banco Central atua duas vezes e segura dólar a R$ 1,752

SÃO PAULO - O dólar comercial caminhava para o sexto pregão seguido de baixa, com preço na casa de R$ 1,73. No entanto, tal movimento foi contido pelo Banco Central, que fez duas atuações no mercado à vista. Desde 13 de julho de 2007, a autoridade monetária não entrava duas vezes no mesmo dia.

A atuação que mudou a direção da moeda americana aconteceu à tarde, quando o BC tomou dólares a R$ 1,744.
Segundo operadores, o preço de corte no leilão foi superior ao ofertado pelas instituições participantes, que estariam dispostas a vender moeda a R$ 1,742 a R$ 1,7425. Antes disso, o BC já tinha comprado moeda a R$ 1,7424, sem efeito sobre o rumo da cotação.

Reagindo à movimentação do Banco Central, o dólar comercial fechou o dia negociado a R$ 1,750 na compra e R$ 1,752 na venda, valorização de 0,17%. Na mínima do dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 1,734.

Na roda de"pronto"da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa teve leve alta de 0,07%, para fechar a R$ 1,7499. O volume somou US$ 108 milhões. No interbancário, o giro estimado foi de US$ 3 bilhões, contra os US$ 2,2 bilhões de ontem.

Segundo o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, a atuação atípica do BC nesta quinta-feira deixou claro que a autoridade monetária não tem o menor interesse em dólar abaixo de R$ 1,75.

Com tal sinalização, diz o especialista, os agentes foram realizar lucros, ou seja, embolsar os ganhos já obtidos com suas posições vendidas, o que acabou levando o preço para cima.

Na avaliação de Knauer, a valorização do real nos últimos pregões tinha caráter especulativo, já que fluxo e mesmo fundamentos domésticos e externos não dariam suporte a tamanha queda de preço para o dólar.

"Não é um complô do mercado. E um momento no qual os agentes percebem que podem obter ganho com a queda do dólar e se movimentam em direção a isso", explica Knauer.

Uma indicação de que o mercado se movimentava em direção a um real mais forte é o aumento das posições vendidas (aposta pró-real) por parte de investidores estrangeiros, fundos locais e bancos.

O economista-chefe do Safra Banco de Investimento, Cristiano Oliveira, aponta que o Banco Central deu dois recados ao mercado com sua atuação dupla. A primeira é que o patamar de R$ 1,75 provoca um desconforto.
A segunda é que o BC estaria antevendo um período de valorização do real e mostrou ao mercado que vai atuar não para impedir isso, mas sim para suavizar essa trajetória.

Na visão de Oliveira, o que deve ser considerado é o câmbio real, ou seja, o comportamento da moeda brasileira ante uma sexta composta pelas divisas de seus principais parceiros comerciais.

Esse câmbio real, por sua vez, depende de duas variáveis. A primeira são os termos de troca, relação obtida pela divisão dos preços de exportação pelos preços de importação.

Segundo o economista, no curto prazo, é por essa relação de termos de troca que o real ganha valor. A ideia é simples: tudo o que o Brasil exporta, como minério de ferro, celulose e outras commodities, está subindo de preço, enquanto os produtos que o país importa estão com preços decrescentes ou subindo muito pouco.

O segundo componente do câmbio real é a variação do passivo líquido externo. E segundo Oliveira, é esse ponto que pode limitar a alta do real no médio prazo. A dinâmica aqui é a seguinte, quanto maior o passivo externo do país, mais depreciada tem que ser a sua moeda. No entanto, ressalta o economista, esse ajuste pelo passivo acontece de forma mais gradual.

(Eduardo Campos | Valor)

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