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15/04/2010 - 16h18

DIs pressionam BC por alta de 0,75 ponto na Selic

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros marcam o terceiro pregão seguido de alta nesta quinta-feira, garantindo novas máximas em mais de um ano para alguns vencimentos.
Segundo o diretor de gestão da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, tal comportamento da curva futura sugere que o mercado está cada vez mais convencido de que o Banco Central terá que começar o ciclo de aperto monetário com mais força.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 fechou estável a 8,74%. Julho de 2010, o mais líquido do dia, ganhou 0,03 ponto, a 9,39%. E janeiro de 2011 também ganhou 0,03 ponto, atingindo 10,70%, maior taxa desde o começo de março do ano passado.

Entre os vencimentos longos o ajuste foi mais acentuado, o DI para janeiro de 2012 subiu 0,06 ponto, a 11,96%. Janeiro de 2013 avançou 0,11 ponto, a 12,42%, e janeiro 2014 acumulou 0,15 ponto, projetando 12,59%.

Até as 16h15, foram negociados 1.588.445 contratos, equivalentes a R$ 147,39 bilhões (US$ 84,48 bilhões), 30% acima do registrado ontem. O vencimento julho de 2010 foi o mais negociado, com 419.510 contratos, equivalentes a R$ 41,16 bilhões (US$ 23,59 bilhões).

Segundo de La Rocque, tal comportamento do mercado de juros futuros é justificado. Praticamente todos os dados de atividade que saíram desde o último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) mostraram crescimento forte e inflação persistente.

Hoje, o Departamento de Trabalho mostrou que foram criados 266.415 empregos formais em março. Com isso, no primeiro trimestre de 2010, a geração líquida de vagas somou 657.259 vagas resultado recorde.

No campo inflacionário, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) registrou alta de 0,63% agora em abril, recuando de uma alta de 1,10% em março. Apesar do recuo, o resultado ainda ficou acima das projeções que rondavam 0,54%.

Ainda de acordo como diretor, além de prever um início de ciclo com aperto de 0,75 ponto percentual na Selic, a curva futura também mostra que o aperto total esperado pelo mercado já passa dos 250 pontos captados pelo Focus. Para de La Rocque, um ajuste total de 300 pontos base já é algo provável de acontecer.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 1,579 milhão das 2,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) que ofertou, levantando R$ 1,4 bilhão. Também foram colocadas 1,006 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), com giro de R$ 920 milhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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