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15/04/2010 - 16h33

Emergentes vivem bom momento mas têm desafios, dizem economistas

SÃO PAULO - Os países industrializados vão apresentar crescimento lento e constante, enquanto os emergentes terão expansão forte, mas enfrentarão desafios nos próximos dois anos. O prognóstico foi desenhado por Raghuram Rajan, assessor econômico do primeiro-ministro da Índia e ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI),
"Esta é uma época de cuidado, tanto para os países ricos quanto para os emergentes", afirmou ele.
Para o especialista, os países ricos estão apresentando alguma recuperação, principalmente os Estados Unidos, com o aumento do consumo, melhora na confiança e evolução do mercado de trabalho.
Os piores desempenhos, porém, encontram-se em alguns países da União Europeia, onde a economia ainda se mostra fraca. Rajan prevê que os déficits orçamentários nos países industrializados em geral excederão 100% do PIB em dois anos. Nos EUA, segundo o economista, os grandes limitadores do crescimento ainda são a dívida imobiliária e o desemprego.
Os emergentes, por sua vez, têm alto potencial de crescimento. No entanto, encaram o desafio de lidar de maneira consistente com a diminuição dos estímulos econômicos, que vêm em sua maioria do governo, e da dependência que alguns têm dos países industrializados."O ponto crucial será como esses países vão lidar com a valorização de suas moedas e com o aumento da demanda interna."
Rajan enxerga uma alteração na geopolítica mundial, com o processo de avanço dos emergentes em detrimento dos países industrializados. Para ele, a grande questão que se coloca hoje é como a tomada de decisões vai ser alterada e como os países ricos vão lidar com isso.
Para o economista suíço Marc Faber, com a elevação nos preços das commodities verificada nos últimos anos, os recursos globais estão fluindo na direção dos emergentes, que ganham poder de investir mais em capital e ampliar o consumo do restante do mundo.
Concordando com Rajan, Faber acredita que o momento é de grande transição e que a demanda dos emergentes não arrefecerá"tão logo", o que resultará na continuidade do aumento dos preços das commodities no mercado mundial."Neste momento de transição, haverá muita volatilidade em todos os mercados e a mudança na geopolítica é certa."Os dois economistas participaram de conferência promovida em São Paulo pelo Itaú Unibanco.

(Vanessa Dezem | Valor)

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