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19/04/2010 - 10h44

Candidato a vice ganha relevância ao suprir carências de titular

SÃO PAULO - Considerado por muito tempo como uma figura simbólica e de menor importância, o vice-presidente ganha papel relevante em todo mundo na medida em que crescem as demandas em torno da Presidência.
Dessa forma, avaliam cientistas políticos, eles precisam ter grande capacidade administrativa, inclusive para a necessidade de terem de assumir maiores responsabilidades no governo. A história do Brasil, aliás, é pontuada de casos em que o titular, por diversos motivos, não concluiu o mandato e o cargo foi repassado ao vice-presidente.
Nesta eleição, aparentemente, os candidatos ao Palácio do Planalto parecem definidos. A dúvida fica por conta de quem serão seus companheiros na chapa. Pelas articulações até o momento, os acordos estão sendo baseados mais em critérios eleitorais.
Leonardo Barreto, cientista político e pesquisador do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), explicou que os candidatos a vice na política brasileira desempenham basicamente três papéis durante a campanha. O primeiro tem como objetivo materializar uma aliança partidária, que permitiria ao cabeça de chapa um tempo maior na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, além de ampliar os palanques estaduais.

"Esse, por exemplo, é o caso da união entre PT e PMDB", argumentou Barreto. Após tentativas frustradas por parte do presidente Lula de garantir a indicação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, numa chapa liderada por Dilma Rousseff, as duas siglas parecem que chegaram a um consenso. Devem indicar o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), como o vice da pré-candidata petista.
O cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fesp), destacou que a escolha do presidente da Câmara terá mesmo como principal vantagem os dividendos oriundos da consolidação da aliança com o maior partido do Brasil."Até porque Temer nunca se notabilizou por grandes votações, sendo que na última eleição teve enorme dificuldade para se reeleger deputado", recordou.
A segunda finalidade está relacionada, de acordo com Barreto, à capacidade do vice de complementar a personalidade do titular, oferecendo uma qualidade que ele não tem."O José Alencar exerceu essa função nas eleições de 2002, quando formou uma chapa com o presidente Lula. Foi a união do capital com o trabalho, o que garantiu segurança para os investidores que estavam preocupados com possíveis mudanças na condução da economia", observou Barreto.

Para ele, esse exemplo pode se repetir nas eleições de 2010 com a possível escolha do empresário da Natura, Guilherme Leal, para composição de uma dobradinha com a senadora Marina Silva (PV)."Leal iria suavizar o discurso, além de conciliar propostas que levem em consideração o desenvolvimento sustentável", complementou Maluf.
A composição regional, acrescenta o pesquisador da UnB, justifica o terceiro objetivo do vice na campanha, já que o Brasil é um país plural e com dimensões continentais. Neste caso, o aliado teria a missão de equilibrar a disputa em uma região onde o candidato à Presidência tem poucas intenções de voto.
De olho nessa possibilidade, o PSDB estuda as condições de indicar um político do Nordeste para compor com José Serra (PSDB), que tem, ao contrário de Dilma, uma preferência reduzida entre o eleitorado da região. O mesmo critério norteou a escolha do vice tucano nas eleições de 2006. Na época, a dobradinha foi formada pelo ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o senador pernambucano José Jorge (DEM).
Barreto acredita que a pressão dos tucanos pela indicação do ex-governador mineiro Aécio Neves como vice também atenderia ao interesses do partido em termos regionais. Até porque Aécio se desincompatibilizou do cargo neste ano com grande popularidade no Estado, que tem o segundo maior colégio eleitoral do país. Isso sem contar sua capacidade de agregar novos aliados pelo país.
O ex-governador mineiro, no entanto, já manifestou em mais de uma ocasião que pretende concorrer a uma vaga no Senado."Acredito que Aécio agregaria ao Serra a mesma quantidade de votos se fosse o candidato a vice ou ao Senado", opinou Maluf.

O único ponto de interrogação gira, até o momento, em torno do deputado Ciro Gomes (PSB), que ainda luta dentro do seu partido para poder concorrer à sucessão do presidente Lula. Se vencer a batalha interna, Ciro terá dificuldades para se coligar com outras legendas e por isso deve entrar na corrida presidencial com um vice do próprio PSB.

(Fernando Taquari | Valor)

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