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19/04/2010 - 16h28

DIs se recuperam e fecham com alta na BM & F

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros abandonaram o viés de baixa registrado no começo do pregão e recuperaram parte os prêmios de risco perdidos na sexta-feira.

Segundo o gestor da Global Equity, Octávio Vaz, sempre que o mercado está na iminência de um ciclo de aperto monetário é difícil os agentes carregarem posições vendidas.

"Enquanto o mercado não ver qual será a atuação do Banco Central é difícil esperar um alívio nos juros", pondera o especialista.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercados & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 ganhava 0,05 ponto, 8,79%.
Julho de 2010 subiu 0,04 ponto, a 9,42%. Enquanto janeiro de 2011, o mais líquido do dia, avançou 0,03 ponto, atingindo 10,74%, depois de cair a 10,69% pela manhã.

Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 teve acréscimo de 0,05 ponto, a 12,02%. Janeiro de 2013 ganhou 0,07 ponto, a 12,47%, e janeiro 2014 acumulou 0,02 ponto, para 12,62%. Na mínima o contrato bateu 12,50%.

Até as 16h15, foram negociados 496.980 contratos, equivalentes a R$ 44,03 bilhões (US$ 25,08 bilhões), um terço do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 166.645 contratos, equivalentes a R$ 15,50 bilhões (US$ 8,82 bilhões).

Pela manhã, os vencimentos perderam prêmio em meio às notícias de que o Banco Central, em reuniões realizadas com participantes do mercado, tinha mostrado menor preocupação com o cenário econômico, reforçando a ideia de que o plano original, que prevê ajustes de meio ponto na Selic será mantido. No entanto, pelo comportamento da curva período da tarde, o mercado não comprou essa ideia.

Na visão de Vaz, há uma preocupação crescente com a inflação, não apenas pelo comportamento passado, mas com a possibilidade de números ruins nas próximas leituras.

Com isso, o consenso de que o Banco Central terá que subir a Selic em 0,75 ponto parece ganhar força no mercado, ainda que o Boletim Focus, do Banco Central, mostre mediana em 0,5 ponto.

No entanto, a pesquisa do BC apontou que os agentes já começam a enxergar um ciclo mais prolongado de alta de juros. A sondagem mostra Selic a 11,50% no encerramento de 2010. Por 12 semanas, a mediana ficou ancorada em 11,25%.

Ainda de acordo com o gestor, o cenário externo, que voltou a se deteriorar pelos problemas envolvendo a Grécia e pelas acusações contra do Goldman Sachs, também influencia na formação das apostas quanto ao resultado do próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).

Retomando o boletim Focus, sem causar grande surpresa, o prognóstico para o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) subiu pela 13ª semana seguida, passando de 5,18% para 5,29% no encerramento de 2010. Para 2011, a previsão seguiu em 4,80%.

A pesquisa também captou uma nova revisão nos prognósticos de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 deve marcar avanço de 5,81%, contra 5,60%.

Na agenda da terça-feira, foco no IPCA-15 de abril, que será apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções oscilam entre 0,43% a 0,55%.

(Eduardo Campos | Valor)

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