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22/04/2010 - 16h26

Instabilidade pauta negócios no mercado de DIs

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerram o pregão de quinta-feira sem direção definida, mas ainda é possível notar uma divisão na curva, com os curtos apresentando maior viés de baixa, enquanto os longos defendem os ganhos recentes.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 ganhava 0,05 ponto, 8,83%. Mas junho de 2010 marcava estabilidade a 9,13%. E julho de 2010, o mais líquido do dia, perdia 0,02 ponto, a 9,38%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011 recuou 0,02 ponto, atingindo 10,69.
Já entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 teve baixa de 0,02 ponto, a 12,09%, depois de marcar 12,14%. Janeiro de 2013 cedeu 0,01 ponto, a 12,63%, e janeiro 2014 ficou estável a 12,82%.

Até as 16h15, foram negociados 1.354.410 contratos, equivalentes a R$ 125,13 bilhões (US$ 71,86 bilhões), 40% abaixo do registrado na terça-feira. O vencimento julho de 2010 foi o mais negociado, com 515.545 contratos, equivalentes a R$ 50,66 bilhões (US$ 28,95 bilhões).

Na visão do economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, tal desenho da curva futura sugere que houve um aumento nas apostas de alta de meio ponto na Selic."Mas 0,75 ponto ainda é a aposta majoritária", pondera o especialista.

De acordo com Serrano, o que levou a essa mudança de expectativas foram as declarações recentes do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que passaram a ideia de que a autoridade monetária não foi surpreendida pelo crescimento e pela inflação do primeiro trimestre. Tal sinalização reforçou a ideia de que o BC manterá o plano de original de ajuste, que sugere elevação de meio ponto na Selic.

"Por isso esse movimento na curva futura. Se o BC está reduzindo o ritmo de subida de juros no curto prazo, aumenta a incerteza futura e a curva se inclina", explica.

De acordo com Serrano, a expectativa do BES é justamente de 0,50 ponto, porque a instituição acredita que o BC se manterá fiel ao plano original."Mantemos esse call por conta da sinalização. Agora, não temos dúvidas de que o mais eficiente seria o 0,75 ponto", pondera.

Para Serrano, como o mercado passa por um processo de muito ruído com inflação de curto prazo pressionado, uma medida mais enérgica por parte do BC ajudaria a combater de forma mais eficiente a deterioração de expectativas.

Na gestão do endividamento público, o Tesouro vendeu todo o lote de 150 mil Letras Financeiras do Tesouro (LFT), levantando R$ 630 milhões. Também foram colocadas 1,3 milhão das 1,5 milhão de Letras do Tesouro Nacional (LTN) ofertadas, com giro de R$ 1,04 bilhão. Ainda foram vendidas 862 mil Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 795 milhões.
(Eduardo Campos | Valor)

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