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22/04/2010 - 20h19

Petrobras estuda alternativas, mas mantém confiança em capitalização

RIO - A Petrobras estuda internamente alternativas à capitalização com cessão onerosa de até 5 bilhões de barris, mas continua trabalhando internamente com a possibilidade de que o processo seja aprovado pelo Congresso em tempo hábil para concluir a operação ainda no primeiro semestre. A afirmação foi feita pelo presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, que participou das assembleias gerais ordinária e extraordinária na sede da empresa.

"Vou trabalhar com a hipótese de que é possível (a capitalização). Se não chegar, vamos ter que ver o que fazer. É claro que estamos discutindo alternativas, mas eu não vou discutir isso publicamente, porque não tem sentido, só quando aparecer o fenômeno", frisou Gabrielli.

Para ele, há tempo hábil tanto para a aprovação no Congresso, quanto para os preparativos societários e a conclusão do processo de perfuração e certificação que determinará a área com até 5 bilhões de barris de óleo equivalente que será cedida à estatal.

O executivo explicou que a companhia trabalha com a projeção de que sejam necessários de 45 a 60 dias para que a capitalização seja realizada depois da aprovação da lei pelo Congresso.

Atualmente, a matéria está no Senado aguardando votação e, devido ao pedido de urgência, os quatro projetos de lei sobre o novo marco regulatório do pré-sal estão trancando a pauta de votações da Casa desde essa semana.

"Estamos trabalhando com a hipótese de que vamos realizar isso no primeiro semestre. Este é o nosso trabalho e estamos fazendo tudo, mas se não for possível, teremos que ter alguma alternativa", acrescentou.

O presidente da companhia voltou a ressaltar que a Petrobras precisará de uma injeção de capital para fazer frente às necessidades de investimento nos próximos anos sem correr o risco de perder o grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco.

"Para manter o investment grade, tem que ter a relação de no máximo de 35% de dívida sobre o capital próprio. Se aumentar mais do que isso, começa a ameaçar a situação de investment grade e nós não queremos ameaçar. E como vamos crescer a dívida necessariamente nestes próximos cinco anos, é melhor ter uma estrutura de capital próprio maior, porque com isso melhora o acesso a mercados", ponderou.

Gabrielli negou ainda que a estatal tenha sido procurada para integrar o consórcio vencedor do leilão pra construção e operação da usina de Belo Monte, no Pará. Sobre a possível entrada da Braskem - que tem a Petrobras como acionista relevante -, Gabrielli disse desconhecer qualquer conversa.

Na assembleia, foram aprovados os nomes do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como novo presidente do Conselho de Administração e do ministro de Minas e Energia, Márcio Zimermmann, para a vaga de conselheiro.

Os acionistas também ratificaram o orçamento de capital de R$ 58 bilhões para 2010, o que equivale aos investimentos da controladora e a nova remuneração dos diretores.

(Rafael Rosas | Valor)

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