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27/04/2010 - 13h28

Desempenho da economia reforça confiança do consumidor, mostra FGV

RIO - A resiliência da economia brasileira contribuiu para o avanço de 3,5% da confiança do consumidor entre março e abril, no maior crescimento desde os 5% de junho de 2009. Com isso, o patamar de 115,3 pontos do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) representou o maior nível desde o recorde de 119,9 pontos em março de 2008. Para Aloísio Campelo, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o ICC de abril mostra que, depois de um período de incerteza na virada do ano, o consumidor brasileiro se mostra confiante em consequência dos bons resultados da economia do país no pós-crise.

"Havia uma série de incertezas sobre o comportamento da economia depois do fim dos incentivos fiscais. Os incentivos, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), foram chegando ao fim e a economia persistiu com bons resultados", frisou Campelo.

O aumento da confiança em abril foi impulsionado pelo Índice da Situação Atual (ISA), que pulou de 121,8 pontos em março para 125,2 pontos em abril, novo recorde da pesquisa, iniciada em 2005. Para a Situação Atual da Economia Local, o resultado de 91,3 pontos, embora ainda demonstre pessimismo, foi o melhor desde os 92,8 pontos de janeiro. Já o outro componente do ISA, a Situação Atual Financeira da Família, atingiu 110,8 pontos, novo recorde, retratando o comportamento de variáveis como a queda da inadimplência e os bons indicadores de emprego.

O Índice de Expectativas (IE) fechou abril com 110,1 pontos e, se não se aproximou do recorde de 118,8 pontos de dezembro de 2007, mostrou o melhor resultado desde os 110,3 pontos de novembro do ano passado.

Entre os três componentes do IE, a Situação da Economia Local Futura mostrou que apenas 8,9% dos entrevistados acreditam na piora do cenário nos próximos seis meses, o mais baixo percentual desde os 8,6% de março de 2008. O resultado do indicador, de 117,9 pontos, foi o melhor desde os 119,9 pontos de novembro.

Já a Situação Financeira da Família Futura atingiu 127,7 pontos, no melhor desempenho desde novembro. Os 2,6% de entrevistados que acreditam na piora do cenário dentro de seis meses significaram a mais baixa expectativa pessimista desde os 2,4% de fevereiro de 2008.

Por fim, as Expectativas de Compras de Bens Duráveis subiram pelo segundo mês seguido, para 85,8 pontos, o mais alto patamar desde os 87,7 pontos de junho de 2008.

Para Campelo, o resultado não deixou de ser uma surpresa, já que havia a expectativa de que o fim da desoneração do IPI derrubasse o indicador. Segundo ele, esse comportamento pessimista só se mantém entre as faixas de renda mensal até R$ 2.100, enquanto nas faixas acima disso as expectativas de compra voltaram a subir.

"As famílias com renda mais alta passaram por um período de ajuste e dúvidas e agora já se mostram com mais ímpeto para compras", ressaltou Campelo.

O economista também apontou para a melhora de informações colhidas sobre o mercado de emprego, que não entram no cálculo do ICC, emboram ajudem a compor o pano de fundo do otimismo ou pessimismo dos entrevistados.

A visão do consumidor sobre a perspectiva sobre o mercado de trabalho atual é positiva, com o índice apontando para 48,8 pontos, recorde de alta. O resultado foi puxado pelos 8,4% que acreditam que está mais fácil achar emprego, o novo recorde, enquanto 59,6%, recorde de baixa, acham que está mais difícil. Em relação ao emprego futuro, 22,4% acham que estará mais fácil achar emprego dentro de seis meses, enquanto 15,2% acham que será mais difícil. O índice de emprego futuro fechou em 107,2 pontos em abril.

(Rafael Rosas | Valor)

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