UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

27/04/2010 - 12h24

DIs estão instáveis enquanto agentes assimilam fala de Meirelles

SÃO PAULO - Depois de um começo de semana marcado por forte acúmulo de prêmios de risco, os contratos de juros futuros têm um pregão indefinido nesta terça-feira. Algumas taxas curtas continuam avançando, mas os longos ajustam para baixo.

Por volta das 12h20, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio subia 0,11 ponto, a 8,96%. Junho de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 9,24%. Julho de 2010 também avançava 0,01 ponto, a 9,52%. Mas janeiro de 2011 tinha baixa de 0,01 ponto, a 10,86%.

Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 caía 0,02 ponto, a 12,14%. Janeiro 2013 devolvia 0,05 ponto, projetando 12,53%. E janeiro 2014 perdia 0,07 ponto, a 12,58%.

Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a indefinição sobre a decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) já traz instabilidade ao mercado. As diversas declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, agravam esse quadro.

"Meirelles está saindo da sua linha de atuação e isso leva o mercado a ficar confuso e pedir mais prêmio de risco. Esse falatório só atrapalha", explica Petrassi.

Durante o fim de semana, o presidente do BC concedeu uma série de entrevistas nos bastidores do encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e hoje voltou a dar recados durante a posse do novo diretor de Assuntos Internacionais, Luiz Awazu Pereira da Silva.

Meirelles ressaltou a independência operacional do BC, defendeu que os membros atuam de forma técnica e ressaltou que a autoridade monetária não precisa provar nada para ninguém.

Tais afirmações servem para rebater comentários que rondam no mercado sobre viés político dentro do colegiado e distanciamento de argumentos técnicos para a tomada de decisão.

Segundo Petrassi, o BC não precisa ficar falando que tem autonomia e que não tem que provar nada para ninguém."Mas ele fala tanto que vai acabar precisando provar", diz o gestor, lembrando que o BC tem mais de sete anos de comprovada autonomia.

Olhando agora para a decisão de amanhã, Petrassi aponta que a probabilidade de uma alta de 0,75 ponto aumentou nos últimos dias, apesar de o Boletim Focus seguir sugerindo alta de 0,5 ponto."O mercado trabalha com 0,5 ponto, mas a curva pede 0,75 ponto", explica.

Avaliando os dois cenários mais possíveis, o gestor explica que uma alta de 0,5 ponto resultaria em queda nos vencimentos curtos e alta nos longos. Já no caso de 0,75 ponto, o movimento seria o posto, ou seja, os curtos sobem e os longos recuam, pois o aperto estaria sendo antecipado.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). A primeira etapa tem liquidação financeira e a segunda ocorre via troca de títulos.

(Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host