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27/04/2010 - 12h58

Dólar sobe mais de 1,3% após rebaixamento de Grécia e Portugal

SÃO PAULO - O humor, que já não era bom, azedou de vez depois que a agência de classificação de risco S & P fez dois movimentos envolvendo países europeus. Primeiro, a nota de crédito soberano de Portugal foi rebaixada de"A+"para"A-". Mas o que selou uma disparada na aversão ao risco foi a novo rebaixamento da classificação da Grécia, agora para o status de"junk bond". A nota caiu em dois degraus, para"BB+", o que aumenta a preocupação com possibilidade de insolvência do país.

Todos os mercados reagiram negativamente à notícia e o mercado local de câmbio não tinha como escapar. Por volta das 13 horas, o dólar comercial subia 1,31%, a R$ 1,766 na compra e R$ 1,768 na venda.

No mercado futuro, o dólar com vencimento para maio, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), avançava 1,17%, a R$ 1,769.

O gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, observa que a situação na Europa está muito complicada, já que, além de Grécia e Portugal, há problemas também com Espanha, Itália e Irlanda.

A preocupação é com uma crise de dívidas soberanas. A questão, segundo Puccinelli, é que isso não ficaria restrito aos países envolvidos, já que Alemanha, França e Inglaterra são detentores de títulos desses países, ou seja, acabariam afetados também.

Trazendo tal piora de cenário para o mercado local de câmbio, Puccinelli avalia que vai ficar mais difícil para os vendidos (agentes que carregam apostas pró-real) defender suas posições."A aversão ao risco volta a patamares nos quais os investidores correm para o dólar", pondera.

Vale lembrar que apenas no pregão de ontem, os investidores estrangeiros venderam 17.051 contratos de dólar futuro, o que equivale a US$ 852 milhões. Com isso, o estoque de posição vendida foi a US$ 5,7 bilhões.

Olhando agora para outro mercado, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 2,50%, o Dow Jones, de Nova York, recuava 1,23%. O preço das matérias-primas também aponta para baixo.

O que sobe em momentos como esse, além do dólar, é o VIX, índice que mede a volatilidade das opções das ações americanas, e é visto como uma boa métrica da aversão ao risco em âmbito mundial, que deu um salto de 16%, atingindo patamares não observado em mais de um mês.

(Eduardo Campos | Valor)

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