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27/04/2010 - 12h55

Ibovespa desaba mais de 2% com corte das notas da Grécia e de Portugal

SÃO PAULO - As más notícias vindas do cenário externo, com destaque para o rebaixamento das notas da Grécia e de Portugal pela agência de classificação de risco Standard & Poor?s, azedaram de vez o humor dos investidores no pregão desta terça-feira.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) aprofundou as perdas e, por volta das 12h50, recuava 2,50%, aos 67.150 pontos, com giro financeiro de R$ 3,325 bilhões.

"Lá fora, o mercado estressou com os cortes das notas de Portugal e da Grécia, e a queda do Ibovespa se aprofundou", pontuou o diretor da Interbolsa, Edson Marcellino, que avalia que a maior possibilidade de corte de 0,75 ponto percentual da Selic também contribui para a baixa do Ibovespa.

Nos Estados Unidos, as bolsas também acentuaram a queda. Há instantes, o índice Dow Jones caía 1,26%, o Nasdaq tinha perda de 1,47% e o S & P 500 cedia 1,60%.

A Standard & Poor?s rebaixou a nota soberana de longo prazo de Portugal de"A+"para"A-". O rating de crédito de curto prazo caiu de"A-1"para"A-2". As notas têm perspectiva negativa, ou seja, é possível que a classificação piore no futuro.

Para a instituição, a piora na classificação reflete os maiores riscos que Portugal enfrenta agora, com aumento da escassez de financiamento externo e pouca competitividade global.
A agência ainda rebaixou, mais uma vez, a nota de crédito soberana da Grécia, fazendo com que o país perca o grau de investimento. O rating de longo prazo caiu de"BBB+"para"BB+"e o de curto prazo baixou de"A-2"para"B", ambos com perspectiva negativa.

Ao mesmo tempo, a agência atribuiu nota 4 para as emissões da dívida do país, o que significa a estimativa de que os compradores de bônus possam ter uma recuperação"mediana"(30% a 50%) do investimento no caso de um calote.

O rebaixamento, segundo a S & P, resulta de novas avaliações dos riscos enfrentados pela economia do país. As opções do governo estão escasseando, por causa das baixas perspectivas de crescimento e das crescentes pressões para medidas de ajuste fiscal, diz a agência."Os riscos de financiamento de médio prazo relacionados à elevada dívida pública estão crescendo, apesar dos planos de consolidação do governo", afirmam os analistas, em nota.

Em dezembro de 2009, a Standard & Poor's já tinha cortado a nota soberana da Grécia de"A-"para"BBB+". Além disso, a classificação foi colocada em perspectiva negativa. No fim de fevereiro, a S & P optou por manter a nota, mas alertou sobre uma nova redução.

Antes mesmo dos anúncios, o mercado adotava maior cautela no pregão, analisando o pronunciamento de executivos do Goldman Sachs no Congresso americano.

Além disso, a fala do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, também foi avaliado pelos agentes.

O dirigente afirmou que o fracasso em diminuir os déficits orçamentários federais pode causar um"grande prejuízo"para a economia americana no longo prazo.
Bernanke pediu à Casa Branca e ao Congresso que elaborem um plano crível para reduzir a conta vermelha do país, que ficou em US$ 1,4 trilhão no ano passado.

Não conseguir cortar o déficit significa taxa de juros mais altas, não apenas para os americanos comprarem carros, casas e outros bens, como também para o próprio país na hora de honrar seus compromissos da dívida, sustentou Bernanke.

Essa situação, continuou o representante do Fed, pode afetar a atividade econômica nacional e pode fazer com que os empregadores deixem de contratar.

O aumento da aversão a risco diminui a procura pelas commodities, o que se reflete na queda dos seus preços. Tendo em vista este cenário, as blue chips seguem a trajetória do Ibovespa.

Há pouco, os papéis Petrobras PN caíam 2,73%, a R$ 32,40, com giro de R$ 377,9 milhões, enquanto as ações Vale PNA cediam 2,75%, a R$ 47,65, com volume de R$ 502,6 milhões. Os papéis ON da mineradora ainda recuavam 3,68%, a R$ 54,10, com giro de R$ 140,7 milhões.

Das ações que integram o Ibovespa, apenas os papéis ON da Sabesp operavam no azul, com alta de 1,17%, a R$ 34,41.

Já entre os destaques de queda estão Gerdau Metalúrgica PN, com baixa de 4,94%, a R$ 34,58, Gol PN, com recuo de 4,34%, a R$ 21,81, e Tim Participações ON, com desvalorização de 4,13%, a R$ 5,79.

(Beatriz Cutait | Valor)

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