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27/04/2010 - 18h06

Indústria paulista deve retomar nível pré-crise já em abril, diz Fiesp

SÃO PAULO - A atividade da indústria de transformação paulista deve retomar, já no mês de abril, os níveis de produção do período pré-crise. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o indicador de atividade do setor está apenas 0,9% abaixo do patamar verificado em setembro de 2008, quando se intensificou a crise financeira mundial com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.

Em março, o INA avançou 2,8% na comparação com fevereiro, na série com ajuste sazonal. Sem ajuste, houve uma expansão de 18%, o que representou o segundo melhor resultado para o período desde o início da série histórica em 2001.

A maior variação ocorreu em 2004, quando o indicador avançou 22,1%. No ano, o índice acumula um crescimento de 18,2%, sendo o melhor desempenho em relação a igual período do ano anterior.

Neste caso, o número foi influenciado pela base baixa de comparação, já que o maior impacto da crise global no Brasil aconteceu no primeiro trimestre de 2009. "Se a indústria, por exemplo, manter o forte ritmo de atividade em abril, o INA voltará a registrar os níveis de produção do período pré-crise", destacou André Rebelo, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp. Ele observou que, dos 17 setores analisados, 11 já atingiram os patamares de atividade apurados antes da crise global. Esse é caso do segmento de produtos têxteis, que sem ajuste, cresceu 19,4%. O diretor do Depecon, Paulo Francini, ainda destacou os setores de artigos de borracha e plástico e minerais não metálicos, que tiveram um aumento de 6,9% e 10,7, respectivamente. O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) alcançou 81,3% no mês passado, sem ajuste sazonal, acima dos 76,4% registrados em fevereiro e dos 77,6% de março de 2009. Na série com ajuste sazonal, o Nuci ficou em 81,6% no terceiro mês de 2010, superior aos 79,1% de fevereiro e aos 77,4% de março de 2009.

Segundo Francini, a indústria tem todas as condições de atender ao aumento da demanda sem provocar pressão nos preços. "As empresas são como cães farejadores. Estão atentas ao que pode acontecer no futuro porque não querem perder dinheiro e mercado. Além disso, não há nenhum indicativo de que esteja faltando produtos. Todas as fábricas estão abastecendo e sendo abastecidas de forma regular", explicou. "Agora, a indústria pode precisar de um tempo para se adequar a uma demanda que superou as expectativas", acrescentou o diretor. A Fiesp também apresentou hoje o Nível de Utilização da Produção Plena (NUPP), que segundo a entidade, oferece condições mais precisas para medir o nível de utilização da capacidade da indústria.

O NUPP considera na sua metodologia a quantidade de turnos, horas-extras e contratações necessárias para alcançar a atividade máxima, ao contrário da Nuci, que leva em conta as condições normais de funcionamento. Com base nisso, o novo indicador da atividade da indústria paulista de transformação atingiu 69,2% em fevereiro, enquanto a Nuci foi de 79,23% na mesma base de comparação. Apesar de defender o NUPP, a Fiesp não tem previsão de quando o índice será novamente divulgado.

(Fernando Taquari | Valor)

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