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27/04/2010 - 13h21

Para Fitch, eleições não representam perigo ao rating do Brasil

SÃO PAULO - As eleições presidenciais não ameaçam a atual nota de crédito do Brasil, de acordo com a diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch Ratings, Shelly Shetty.

"Nenhum dos candidatos está indicando que vai alterar o modelo macroeconômico vigente", explicou, durante evento promovido pela agência de classificação de risco em São Paulo.

Atualmente, o rating do Brasil é BBB-, com perspectiva estável. Segundo Shelly, esta nota significa que o país é resiliente, isto é,"quando há um ciclo de baixa atividade econômica, não há crise"."Foi justamente isso que o Brasil mostrou nesta última crise", disse. Ainda falando das eleições, a diretora afirmou que,"até outubro, o Brasil passará por volatilidade, mas não será como em 2002". O motivo, explicou, é a melhora significativa da economia."É menos importante o que acontecerá antes das eleições e mais importante o que ocorrerá depois de eleita a nova administração." "A Fitch vai monitorar os acontecimentos após as eleições", garantiu."É importante que o presidente eleito pense nas reformas e que corte gastos públicos. É o que nós gostaríamos de ver. Há espaço para a consolidação fiscal do país durante a nova administração", disse. Shelly explicou que a dívida pública do país é um dos fatores que impedem a melhora de sua nota de crédito. Segundo a Fitch, a queda na receita com impostos e o rápido crescimento dos gastos do governo fizeram com que o superávit primário caísse de 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 para 1,3% do PIB no ano passado. Em um relatório, a agência chamou as finanças públicas de"calcanhar de Aquiles"do Brasil.

Para este ano, a previsão da agência é de que esse percentual fique em 3,1% do PIB."Os gastos públicos precisam diminuir, se as autoridades quiserem atingir a meta de superávit primário para 2010, de 3,3% do PIB", disse a diretora. Mas Shelly não fez apenas críticas e recomendações, durante o evento. Ela apontou muitas razões para ser otimista com relação ao Brasil."A classe média vem crescendo e as classes baixas estão diminuindo. Esta foi uma mudança fundamental. Aumentou o poder de compra da população. Antes da crise, o consumo vinha crescendo a uma velocidade superior ao PIB. Durante a crise, continuou crescendo. Agora, acreditamos que irá se manter." Segundo ela, esse quadro leva ao aumento da confiança na indústria, fomentando, desta forma, os investimentos do setor privado. Outro ponto positivo observado pela Fitch é a melhora das condições de crédito, que foi motivado pela queda do spread bancário (a diferença entre as taxas de captação e as taxas cobradas pelos bancos aos clientes) no ano passado, entre outros motivos. O consumo interno será um dos principais responsáveis pelo crescimento do PIB brasileiro estimado pela Fitch para este ano, de 5,5%. Já para o ano que vem, a agência prevê um avanço de 4,6%.

A diretora ainda ressaltou a importância da poupança externa do país."As reservas internacionais superam a dívida externa do governo. É uma mudança importante, porque revela que a depreciação do câmbio não representa um problema de solvência ao governo". Atualmente, as reservas acumuladas pelo Brasil somam cerca de US$ 241 bilhões. A perspectiva da Fitch é que essa cifra chegue a US$ 255 bilhões no final do ano.

(Karin Sato | Valor)

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