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27/04/2010 - 14h24

Para Fitch, momento atual é desafio para o BC brasileiro

SÃO PAULO - O Banco Central enfrenta um desafio neste momento, afirmou a diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch Ratings, Shelly Shetty."O BC precisa ficar dentro da meta de inflação e manter a estabilidade econômica, em um ano de eleições", explicou.

"A Fitch vai analisar nos próximos meses como a autoridade monetária responderá a esse desafio", afirmou, durante um evento promovido pela agência de classificação de risco em São Paulo.

Questionada por jornalistas sobre qual será a posição da Fitch, caso o BC decida não elevar a taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontecerá amanhã, Shelly se limitou a responder que uma eventual manutenção da Selic no patamar atual (8,75% ao ano) poderá ser debatida, mas não representará um risco à credibilidade da autoridade monetária.

"O Banco Central possui um bom histórico nos últimos anos. Não olhamos uma única reunião ou uma única decisão para definir a credibilidade de uma instituição", afirmou. Antes de dar palestra sobre o cenário econômico brasileiro, Shelly disse que esperava que a inflação superasse os 5% este ano.

Se a diretora elogiou o BC, o mesmo não pode ser dito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Shelly criticou fortemente a atuação do banco público."É preciso definir o papel do BNDES. Fornecer crédito em um ano de crise é uma coisa. Em outras situações, isso já é mais complicado", afirmou.

A avaliação é que os empréstimos do BNDES pressionam a dívida pública, que correspondeu a 68,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 e, este ano, deve ficar em 67,5% do PIB, de acordo com estimativa da Fitch.

Na ocasião, Shelly ressaltou a importância dos investimentos do setor privado, mas questionou a capacidade do Brasil de atraí-los. Ela também questionou a natureza dos investimentos que serão realizados para os Jogos Olímpicos, mas sem dar detalhes. "O Brasil vai sediar os jogos. Os investimentos para o evento serão públicos, privados, ou uma mistura de ambos? É uma questão que precisa ser definida." (Karin Sato | Valor)

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