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27/04/2010 - 17h57

Preocupação com Europa leva Ibovespa a perder os 67 mil pontos

SÃO PAULO - Novas notícias desfavoráveis para a Grécia e Portugal, que geraram maior desconfiança sobre os problemas fiscais enfrentados por outros países europeus, comprometeram o humor dos investidores nesta terça-feira.

A queda nos mercados foi generalizada, tendo em vista a maior procura por ativos de menor risco, entre os quais o dólar americano.

Com mínima de 66.499 pontos e máxima de 68.868 pontos, o Ibovespa teve uma trajetória negativa pelo segundo dia, ao recuar 3,43% - maior baixa diária desde 4 de fevereiro (4,73%) -, aos 66.511 pontos, no menor nível desde o dia 26 de fevereiro (66.503). O volume financeiro negociado somou R$ 8,585 bilhões.

Em Wall Street, o índice Dow Jones encerrou a jornada com baixa de 1,90%, aos 10.992 pontos, enquanto o S & P 500 recuou 2,34%, aos 1.184 pontos, e o Nasdaq se desvalorizou em 2,04%, aos 2.471 pontos.

Destaque desta jornada, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s rebaixou a nota soberana de longo prazo de Portugal de"A+"para"A-". O rating de crédito de curto prazo caiu de"A-1"para"A-2". As notas têm perspectiva negativa, ou seja, é possível que a classificação piore no futuro.

O chamado"golpe duplo"ainda envolveu o rebaixamento da Grécia, com a perda do grau de investimento pela escala da S & P. O rating de longo prazo caiu de"BBB+"para"BB+". A perspectiva das notas também é negativa.

"A situação da Grécia está bem ruim e já está sendo precificado um default do país em algum ponto", comentou o operador da Um Investimentos, Eduardo Oliveira.

Na avaliação do operador, o rebaixamento da Grécia deve levar à aceleração da entrada em vigor do plano de resgate ao país, mas há sinais claros de resistência.

Hoje mesmo, o ministro alemão da economia, Rainer Brüderle, afirmou que cabe aos gregos encontrarem um solução para seus problemas."A solução dos problemas da Grécia não consiste em ceder recursos dos contribuintes alemães", sustentou.

Uma decisão do Conselho de Ministros da União Europeia com relação à ajuda financeira a Atenas depende de a Grécia apresentar propostas de ajuste para 2011 e 2012. Brüderle disse que o governo grego já tomou medidas de austeridade fiscal para este ano, o que ainda, na opinião dele, é insuficiente."Tudo depende de medidas que vão ser tomadas pela Grécia em 2011 e 2012", sustentou.

Contribuiu ainda para o ambiente negativo do dia o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, que afirmou que o fracasso em diminuir os déficits orçamentários federais pode causar um"grande prejuízo"para a economia americana no longo prazo.

Bernanke pediu à Casa Branca e ao Congresso que elaborem um plano crível para reduzir a conta vermelha do país, que ficou em US$ 1,4 trilhão no ano passado.

Não conseguir cortar o déficit significa taxa de juros mais altas, não apenas para os americanos comprarem carros, casas e outros bens, como também para o próprio país na hora de honrar seus compromissos da dívida, sustentou Bernanke. Segundo o presidente do Fed, essa situação, pode afetar a atividade econômica nacional e pode fazer com que os empregadores deixem de contratar.

"O presidente do Fed mostrou preocupação com o déficit americano e, por mais que o país seja o que mais pode se refinanciar, a questão é um balde de água fria para o mercado", comentou Oliveira, da Um Investimentos.

As notícias vindas da Europa anularam o resultado de indicadores econômicos americanos e balanços trimestrais divulgados.

No front corporativo nacional, a queda dos preços das commodities resultou na baixa das blue chips. As ações PN da Petrobras caíram 3,63%, a R$ 32,10, com giro financeiro de R$ 749,7 milhões, enquanto os papéis PNA da Vale perderam 4,93%, a R$ 46,58, com volume equivalente a R$ 1,311 bilhão. As ações ON da OGX Petróleo ainda se desvalorizaram em 3,11%, para R$ 17,40, com giro de R$ 317,6 milhões.

Todas as ações que compõem o Ibovespa fecharam no vermelho, com destaque para os papéis ON da Fibria, com queda de 5,91%, a R$ 35,66, as ações PN da Gol, com depreciação de 5,7%, a R$ 21,5, e MMX ON, com recuo de 5,65%, a R$ 12,34.

Nesta quarta-feira, serão anunciadas as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. A agenda doméstica ainda reserva os balanços trimestrais de empresas como Net, Natura, Bradesco e Comgás.

(Beatriz Cutait | Valor)

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