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27/04/2010 - 13h15

Situação fiscal impede melhora no rating do Brasil, avalia Fitch

SÃO PAULO -"Por que não termos uma ação positiva quanto ao rating do Brasil?", questionou a diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch Ratings, Shelly Shetty, respondendo em seguida:"Um dos motivos é a deterioração fiscal do país".

Shelly afirmou, em evento promovido pela agência de classificação de risco em São Paulo, que o Brasil é um dos países mais endividados da América Latina, com uma dívida pública de 68,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

Para 2010, a perspectiva da Fitch é de que a dívida governamental chegue a 67,5% do PIB."A posição fiscal do Brasil é estruturalmente fraca, mas não ameaça o atual rating do país (BBB-, com perspectiva estável). Entretanto, a melhoria da situação fiscal é um dos fatores que poderia levar a uma mudança no rating", explicou. Para efeito de comparação, a dívida pública média dos países com rating BBB é de 40% do PIB, disse a diretora.

Shelly criticou o que chama de"rigidez orçamentária"no Brasil, que possui uma conta alta de salários de funcionários públicos e de aposentadorias."A máquina pública gasta muito", revelou. "O problema é que, se o país passar por uma crise, será muito difícil que consiga ajustar seus gastos", ressaltou."Além disso, uma parcela significativa da dívida do governo brasileiro está atrelada à Selic, o que significa que o país está sujeito a choques de juros".

Ao lembrar que a dívida pública líquida no Brasil chega a 43% do PIB, Shelly lembrou que, entre as nações com rating BBB, o país só não tem um quadro pior do que a Grécia."É um nível perigoso. Nós não queremos ser uma Grécia, certo?", disse. (Karin Sato | Valor)

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