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28/04/2010 - 16h41

DIs fecham projetando alta de 0,75 ponto na reunião do Copom

SÃO PAULO - O mercado de juros futuros vai para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) esperando uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic, atualmente fixada em 8,75%. No entanto, cabe ressaltar que essa é a sinalização de mercado, e que entre os economistas e analistas há divergências, que vão de alta de meio ponto a 1 ponto.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010 ganhava 0,16 ponto a 9,11%. Junho de 2010, o mais líquido, teve acréscimo de 0,05 ponto, a 9,28%. E julho de 2010 subiu 0,06 ponto, a 9,56%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011 avançou 0,06 ponto, atingindo 10,91%.

São esses contratos que captam a expectativa de alta mais acentuada nos juros, pois isso eles apontam pra cima. Já os longos tendem a perder prêmio, pois ao se antecipar o ciclo, se reduz a incerteza futura quanto ao comportamento da inflação e crescimento.

Também na BM & F, o DI para janeiro de 2012 destoava e subia 0,02 ponto, a 12,22%. Mas o contrato para janeiro de 2013 caía 0,02 ponto, a 12,58%, e janeiro 2014 recuava 0,04 ponto, para 12,62%.

Até as 16h15, foram negociados 2.492.115 contratos, equivalentes a R$ 239,30 bilhões (US$ 136,03 bilhões), 46% acima do registrado ontem. O vencimento de junho de 2010 foi o mais negociado, com 1.175.670 contratos, equivalentes a R$ 116,57 bilhões (US$ 66,26 bilhões).

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a piora de cenário externo nos últimos dias reforça a sua previsão de que o Banco Central começará o ciclo com alta de 0,5 ponto.

Na visão de Agostini, se os problemas envolvendo algumas economias europeias continuarem se agravando, poderemos observar um"tropeço"no atual movimento de recuperação da economia global. Tal cenário teria impacto sobre o preço das commodities e sobre as economias emergentes, tanto via canal de crescimento como de inflação.

Pelo lado doméstico, Agostini justifica sua aposta, indicando que a economia brasileira não está superaquecendo, mas sim reaquecendo depois da acentuada desaceleração da época da crise."O PIB foi negativo no ano passado, parece que se esqueceram disso", avalia o especialista.

Fora isso, diz Agostini, ao ser mais gradual no ajuste, o BC deixa a economia consolidar a recuperação e passa a atuar com foco em 2011, que parecer ser o seu horizonte relevante de atuação. Basta lembrar que as ações de política monetária levam de seis a nove meses para chegar ao lado real da economia.

Com outra visão, o diretor de investimentos e patrimônio da Fundação Cesp, Jorge Simino, acredita que a ação do Banco Central deve ser preventiva, visando a ancoragem das expectativas. Por isso, o ciclo deveria começar com alta de 0,75 pontos."O Banco Central não pode ver as expectativas se deteriorando dessa forma." A questão do crescimento também justificaria uma atuação mais afirmativa, já que as previsões de avanço do PIB em 2010 já passam de 6%.

Ainda de acordo com Simino, em função do crescimento acima do esperado e a piora das expectativas de inflação, o ciclo total de ajuste nos juros pode ser maior também. A previsão da fundação é de aperto total de 350 pontos, mas não está descartada uma revisão para cima.

"Com uma alta de 0,75 ponto e um discurso bem consistente é que se começa a ancorar as expectativas, principalmente as de 2011", conclui. (Eduardo Campos | Valor)

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