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28/04/2010 - 12h07

DIs sobem e sugerem alta de 0,75 ponto na Selic

SÃO PAULO - Depois de um pregão instável na terça-feira, o mercado de juros futuros ganha definição e sugere novo aumento nas apostas de que o Banco Central (BC) subirá a taxa Selic em 0,75 ponto ainda hoje. Isso fica evidenciado pelo aumento da inclinação entre os contratos de curto prazo e pela redução dos prêmios nos vencimentos longos.

Por volta das 12 horas, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio subia 0,17 ponto, a 9,12%. Junho de 2010 ganhava 0,04 ponto, a 9,27%. Julho de 2010 avançava 0,05 ponto, a 9,55%. E janeiro de 2011 tinha alta de 0,04 ponto, a 10,89%.

Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 marcava estabilidade, a 12,19%. Mas janeiro 2013 devolvia 0,05 ponto, projetando 12,55%. Janeiro 2014 perdia 0,06 ponto, a 12,60%.

O gestor da SLW Asset Management, Gustavo Gazaneo, diz que a curva aponta mesmo para 0,75 ponto de alta na Selic, mas mantém seu previsão de ajuste de 0,5 ponto percentual na taxa básica que está em 8,75% desde setembro do ano passado.

Gazaneo justifica sua posição com base na sinalização dada pelo BC no encontro de março. Na reunião passada, a Selic permaneceu estável por 5 votos a 3 que já pediam elevação de 0,5 ponto."Se o BC vier com 0,75 ponto agora, teria que explicar muito bem o movimento do zero na última reunião."
Outro ponto ressaltado pelo gestor é que a reunião de hoje acontece em meio a um grave problema envolvendo endividamento soberano na Europa. Ontem, Portugal teve sua nota rebaixada e a dívida da Grécia caiu para o patamar especulativo. Segundo Gazaneo, esse mesmo problema pode se espalhar para outros países.

A questão aqui é que, independentemente da saída adotada, esses países vão abrir mão de crescimento e consumo para ajustar suas contas. Segundo o especialista, isso pode prejudicar o crescimento do mundo como um todo, o que também pode resultar em menor perspectiva de inflação.

Como 2010 já está dado, ou seja, o crescimento vai ser forte e a inflação ficará fora do centro da meta, Gazaneo diz que o BC tem que considerar o cenário acima no seu ajuste de política monetária para não prejudicar o desempenho da economia brasileira em 2011, pois esse é seu horizonte de interesse.

"O BC tem quer ser proativo com relação à inflação, mas o papel dele não é só esse. Ele tem que olhar o cenário todo para não errar a mão no aperto", diz o gestor.

Na gestão do endividamento público, o Tesouro vende Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Eduardo Campos | Valor)

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