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28/04/2010 - 21h06

Setor produtivo critica aumento da Selic pelo Banco Central

SÃO PAULO - Apesar de já esperada, a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de elevar em 0,75 ponto a taxa básica de juros desagradou entidades representativas da indústria e do comércio.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o aumento não se justifica, uma vez que a inflação permanece dentro do centro da meta de 4,5%. Segundo Armando Monteiro, presidente da entidade, a elevação da taxa pode ter efeitos negativos sobre a produção. Além disso, sustentou Monteiro, terá efeito limitado no controle das atuais pressões inflacionárias, provocadas pelos preços dos alimentos."A elevação dos juros não surtirá efeito nesse componente, porque os aumentos desses preços se devem a fatores externos", argumentou o presidente da CNI.

Segundo ele, a indústria não contribuiu para as pressões inflacionárias porque ainda conta com uma margem de ociosidade criada com a crise financeira."O aumento do uso da capacidade é salutar e essencial para alavancar os investimentos na indústria, o que já vem ocorrendo", acrescentou Monteiro, que ainda defendeu uma coordenação entre as políticas monetária e fiscal para controlar a inflação. Para Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ, a alta da Selic vai atingir em cheio o crédito, que, avaliou, foi fundamental para superar a crise global ao garantir o consumo das famílias e a geração de empregos. Ele prevê que o crescimento da taxa básica será imediatamente repassado à ponta pelos bancos e os consumidores pagarão a conta.

Já o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), classificou a medida do Copom como perversa ao setor produtivo. De acordo com ele, o país está virando um paraíso para os especuladores em função da lucratividade oriunda da taxa de juros brasileira.

"Vale destacar que esta decisão irá aumentar o custo da dívida do governo, que é em parte atrelada à taxa Selic. As autoridades monetárias brasileiras se transformaram em meros aduladores dos especuladores, punindo a produção e estrangulando a abertura de novos postos de trabalho", frisou Paulinho.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi na mesma linha ao declarar que competência e a autonomia do Banco Central correm o risco de ser colocadas em dúvida, já que a autoridade monetária estaria"refém de certos setores do mercado e cada vez mais distante dos interesses maiores da sociedade e do País".

A Fiesp ressaltou que fez reuniões e apresentou argumentos consistentes para que o BC pudesse manter a Selic em 8,75%."Não há necessidade de subir a taxa de juros, pois existe capacidade instalada na indústria para atender à demanda sem que aconteça pressão sobre os preços", justificou Paulo Skaf, presidente da entidade. Na contramão dos demais, o Sindicato das Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (Secif-RJ) disse que concorda com o aumento dos juros, embora discorde do nível do ajuste, que considerou alto demais.

O presidente da entidade que agrega financeiras, José Arthur Assunção, afirmou que a elevação da Selic foi importante pelo recado firme do Copom de que não vai dar trégua à inflação, mas que o 0,75 ponto de aumento foi além do necessário. (Fernando Taquari | Valor)

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