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05/05/2010 - 14h22

Brasil boicotará Cúpula de Madri se Honduras participar do evento

SÃO PAULO - O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, reiterou hoje que o Brasil deve boicotar a Cúpula de Madri caso a Espanha permaneça com a posição de convidar o presidente de Honduras, Porfírio Lobo, para participar do evento, que começa no dia 18 de maio.

Segundo Garcia, outros oito países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) também boicotarão a reunião com os europeus por causa do convite ao líder hondurenho.
Lobo foi eleito em janeiro, mas a maioria do bloco sul-americano não reconhece sua eleição, que aconteceu após o golpe militar contra o ex-presidente Manuel Zelaya, destituído em junho do ano passado.

Garcia, no entanto, acredita que a Espanha pode rever sua posição e classificou o episódio como uma "derrapada" de um funcionário do governo espanhol. "Acho que essa decisão vai ser mudada. Quem organiza uma reunião deste tipo deve levar em consideração a outra parte. E a outra parte é a América Latina", disse o assessor, para depois lembrar que os Estados Unidos defenderam há alguns dias que o reingresso de Honduras na Organização dos Estados Americanos (OEA) deveria ser feito por unanimidade.

"Conversei semana passada e no final de semana com o assessor do presidente (José Luis Rodríguez) Zapatero. Acho que a coisa vai se encaminhar numa boa direção", acrescentou Garcia. Ontem, o presidente do Equador, Rafael Correa, que ocupa a presidência rotativa da Unasul, avaliou como leviandade o fato de Madri ter convidado para a cúpula um governo de um país que não é reconhecido por outros.

O assessor para assuntos internacionais ainda descartou a possibilidade de um conflito entre Colômbia e Venezuela. A tensão entre os dois países cresceu nos últimos anos com a troca de acusações mútuas. Caracas critica a proximidade entre Bogotá e os Estados Unidos. Os colombianos, por sua vez, questionam a compra de armamentos por parte do líder venezuelano, Hugo Chávez.
"Já houve uma situação muito mais difícil que foi superada. Criamos um grupo de presidentes para ajudar no processo de aproximação da Colômbia, que está enfrentando eleições. Vamos ver o que ocorre. Tem candidatos, inclusive, que estão explicitando o desejo de buscar uma solução de paz com a Venezuela", assinalou Garcia.
O primeiro turno das eleições colombianas acontece no dia 30 maio. De acordo com as pesquisas de intenção de voto, o candidato opositor Antanas Mockus lidera a disputa, seguido pelo governista Juan Manuel Santos, que ocupou o cargo de ministro da Defesa durante o governo do presidente Álvaro Uribe.

(Fernando Taquari | Valor)

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