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05/05/2010 - 11h43

CNI não vê demanda superaquecida

BRASÍLIA - O recorde de vendas da indústria em março foi apoiado na demanda interna e pelo estímulo do fim da redução tributária para alguns produtos. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), já houve um arrefecimento e não dá para dizer que a demanda está superaquecida. " Aquecida sim. Superaquecida, não " , afirmou o economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco.

" A demanda hoje cresce de forma mais intensa do que em 2004, por exemplo, mas foi influenciada pela atipicidade da redução de impostos. Superaquecimento seria além da capacidade de oferta das fábricas e não chegamos a esse ponto " , observou o representante da entidade, que explicou que dados parciais apontam uma acomodação neste segundo trimestre.

Em março, o faturamento real da indústria de transformação registrou o maior índice (dessazonalizado) da série, de 120,2 pontos, com variação de 4,3% sobre o mês anterior. Segundo a CNI, mesmo se não crescer mais nada, o indicador fecha 2010 com alta de 8,8% em relação ao ano anterior. Castelo Branco alertou para o fato de o uso da capacidade instalada (UCI) estar crescendo, mas ainda não ter alcançado níveis pré-crise de 2008, quando a média estava em 83%, com ajuste. Em março, a taxa ficou em 82,6%.

"Praticamente, a indústria está zerando a ociosidade gerada pela crise de 2008, mas a subida não foi tão forte", comentou Castelo Branco. " São ciclos de crescimento. Os investimentos maturam e as fábricas têm mais capacidade para atender à alta demanda " , continuou ele. " Se esse processo salutar se instalar, com o investimento crescendo acima do PIB, é um ciclo virtuoso. " Para o economista, a elevação da taxa de juro básica Selic em 0,75 ponto percentual, para 9,5% ao ano, não deve parar o ciclo virtuoso de mais demanda com mais investimentos. " A intenção do Banco Central é moderar a demanda, mas não abortar " , acredita Castelo Branco.

Ele observou que o crescimento da indústria tem por base a demanda interna já que as exportações ainda não recuperaram os níveis pré-crise.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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