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05/05/2010 - 11h58

DIs curtos recuam; compulsório e crise na Europa atraem atenção

SÃO PAULO - A curva de juros futuros apresenta uma divisão nesta quarta-feira. Os curvos devolvem os prêmios de risco acumulados recentemente, enquanto os longos seguem abrindo taxa, reflexo direto da incerteza externa.

Por volta das 12h50, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em junho de 2010 não era negociado. Já julho de 2010 perdia 0,01 ponto, a 9,69%. E janeiro de 2011 tinha baixa de 0,07 ponto, a 11,11%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 ainda perdia 0,05 ponto, a 12,46%. Mas janeiro 2013 subia 0,04 ponto, projetando 12,84%. E janeiro 2014 avançava 0,05 ponto, também a 12,84%.

O gestor da SLW Asset Management, Gustavo Gazaneo, observa que dois fatores ajudam a explicar a queda nos contratos curtos. O primeiro é a expectativa de que o Banco Central deve anunciar, em breve, alguma alteração nos depósitos compulsórios (parcela dos depósitos que os bancos não podem emprestar). O que pode acabar auxiliando no ajuste de política monetária.

O outro fator é o agravamento da crise na Europa, o que vai resultar em menor crescimento na região e frear também o desempenho da economia mundial. "O crescimento da Europa está comprometido nos próximos anos."
Esse menor crescimento global, nota o gestor, pode levar o BC a mensurar melhor o ajuste monetário.

Fora isso, lembra Gazaneo, as commodities caem de forma acentuada, o que pode trazer um alívio sobre os índices de preço. O ponto a ser observado para que essa relação se torne verdadeira ou mais vantajosa é o câmbio.

Gazaneo lembra que o dólar saiu de R$ 1,73, na segunda-feira, para testar máximas intradia a R$ 1,80 hoje (contrato futuro). Se a moeda seguir com tal ímpeto de alta, a pressão inflacionária pode surgir por aí.

Olhando agora os vencimentos longos, o raciocínio adotado é o mesmo para qualquer ativo de risco. Ou seja, os agentes estão se desfazendo das posições ou pedindo mais prêmio para ficarem aplicados.
Fora isso, lembra o especialista, o mercado pode estar assistindo a alguma zeragem de posição de investidor estrangeiro, que é o principal aplicador entre os vencimentos longos.

Gazaneo pondera, no entanto, que esse tipo de ajuste tem caráter passageiro. Logo mais, os não residentes virão aplicar em juros no Brasil, primeiro porque o rendimento em outras economias é quase zero, e segundo porque o país segue com sólidos fundamentos econômicos.

Com as atenções voltadas à Europa, os dados domésticos perderam um pouco de força. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o nível de utilização da capacidade da indústria brasileira se manteve estável em março, em 82,6%, em termos dessazonalizados. A taxa supera aquela apurada um mês antes, 81,1%. Em março de 2009, o indicador se encontrava em 78,6%.

Na gestão do endividamento público o Tesouro promove leilão de troca de Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

(Eduardo Campos | Valor)

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