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05/05/2010 - 16h23

DIs têm pregão indefinido e estrangeiro continua saindo do mercado

SÃO PAULO - A quarta-feira termina sem direção única no mercado de juros futuros. A curva mostra uma correção de preço em alguns vencimentos, como janeiro 2011 e janeiro de 2012. E novo aumento no prêmio de risco de 2013 em diante.

A formação de taxa continua influenciada pela piora de cenário externo, tanto pela questão de aversão ao risco, quanto pela perspectiva de menor crescimento das economias europeias.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para Junho de 2010 tinha acréscimo de 0,02 ponto, a 9,39%. Julho de 2010 marcava estabilidade a 9,70%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuou 0,04 ponto, para 11,15%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 destoou e caiu 0,03 ponto, a 12,48%. Já o contrato para janeiro de 2013 ganhou 0,01 ponto, a 12,81%, e janeiro 2014 acumulou 0,05 ponto, para 12,84%.

Até as 16h15, foram negociados 769.705 contratos, equivalentes a R$ 66,90 bilhões (US$ 38,10 bilhões), montante 71% menor que o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 323.585 contratos, equivalentes a R$ 17,17 bilhões (US$ 26,58 bilhões).

Segundo o sócio da Teórica Investimentos, Rogério Freitas, tal movimentação da curva sugere que os investidores estrangeiros estão saindo dos contratos, isso fica mais evidente nos vencimentos longo, pois é aí que esses agentes concentram suas operações.

Essa percepção ganha força ao se avaliar o comportamento do dólar, que também ganhou valor de força acentuada junto com os contratos, algo que não acontecia antes.

De acordo com Freitas, o agravamento da crise das dívidas soberanas na Europa resulta em um aumento na percepção de riso de crédito não só no Brasil, mas no mundo todo. "O mercado está mais seletivo na contratação de crédito", diz Freitas.

Essa maior seletividade, explica, é reflexo de dois fatores. O primeiro é risco de calote, que deixa os agentes reticentes, não importando qual país entrará em default. O segundo é um pouco maia amplo e envolve o processo de retirada de liquidez.

Os governos ao redor do mundo começam a apertar a política monetária depois das medidas excepcionais adotadas durante a crise. "Isso faz com que a disposição de emprestar diminua." Olhando agora o componente doméstico da curva, Freitas explica que não há mais espaço para prêmios considerando a expectativa de alta da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Agora, o que está além do Copom é o risco externo, e esse sim pode dar mais inclinação à curva futura. "O ambiente lá fora está muito negativo e no curto prazo isso não deve se resolver." Ainda de acordo com o especialista, essa piora externa pode ter impacto na condução do ajuste das condições monetárias no mercado local. No limite, diz Freitas, essa situação pode resultar em menor necessidade de alta de juros por aqui, pois os problemas de endividamento batem no crescimento europeu e, por consequência, no crescimento global.

Na gestão do endividamento público o Tesouro promoveu leilão de troca de Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Foram ofertadas 1 milhão de letras, mas apenas 24,9 mil foram negociadas.

(Eduardo Campos | Valor)

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