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05/05/2010 - 17h30

Dólar tem segunda maior alta do ano e fecha a R$ 1,798

SÃO PAULO - Mais um dia de forte valorização no preço da moeda americana. A demanda por dólar no mercado local continua refletindo o aumento na aversão a risco em âmbito global, que leva os investidores a correr do real, do euro e de outras moedas.

A valorização desta quarta-feira foi ainda mais forte que a observada ontem. O dólar comercial saltou 2,10%, para fechar a R$ 1,796 na compra e R$ 1,798 na venda. Essa foi a segunda maior alta percentual diária do ano. Vale lembrar que na segunda-feira a moeda valia R$ 1,732. Em apenas dois pregões o preço aumentou 3,81%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar saltou 1,99%, para fechar a R$ 1,797. O volume foi de US$ 104,75 milhões, em linha com o observado ontem. Já no interbancário, o giro estimado ficou em US$ 2,3 bilhões.

Para o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, não coincidentemente a essa forte piora de humor externo, os investidores estrangeiros viraram a mão na BM & F, passando de fortemente vendidos (apostas pró-real) para comprados (apostas pró-dólar).

O especialista lembra que, no final de março, a posição vendida em dólar futuro ultrapassava US$ 5 bilhões e que levou apenas três pregões para tudo ser revertido em posição comprada de US$ 430 milhões. E essa posição deve ter aumentado um pouco hoje.

"Nitidamente percebemos que a aposta de baixa do dólar acabou. A questão, agora, é se eles vão passar a apostar na ponta inversa, ou seja, na desvalorização do real", pondera Knauer.

Segundo o especialista, o que mercado assistiu foi a soma dessa aversão a risco com a boa vontade de compra. Um sinal claro que a demanda por dólares dentro do mercado está maior é que o Banco Central abandonou as duas intervenções diárias que vinha fazendo. Tanto ontem quanto hoje foi apenas um leilão no pronto.

Para Knauer, o preço da moeda pode se estabilizar entre R$ 1,75 a R$ 1,80. Agora, se a questão que está levando à alta for apenas aversão a risco, em algum momento o mercado se estabiliza e o real volta a subir.

O ponto aqui são os fundamentos da economia. O Brasil segue com grau de investimento, crescimento sólido, e taxa de juros em processo de alta. Soma-se a isso um mercado global que convive com juro próximo de zero. Então, cedo ou tarde o investidor vem buscar rendimento por aqui. "Há uma probabilidade de queda, mas com esse padrão de aversão a risco, esse quadro perde força no curto prazo", conclui.

Os dados apresentados pelo Banco Central não confirmaram as expectativas que rondam as mesas de operação, de que as compras no mercado de pronto passaram dos US$ 2,2 bilhões na quinta e sexta-feira da semana passada, quando foram feitos dois leilões de compra por dia.

Os dados oficiais mostram que as compras nesses dois dias foram apenas de US$ 141 milhões, sendo US$ 86 milhões na quinta, e US$ 55 milhões na sexta. Ao longo de toda a semana, as compras somaram US$ 621 milhões. Já no mês, o BC enxugou US$ 3,02 bilhões. Ainda de acordo com os números do BC, o fluxo cambial da semana passada ficou positivo em US$ 2,25 bilhões, com contribuições positivas tanto pelo lado financeiro quanto pelo comercial. Assim, abril terminou com saldo positivo US$ 2,24 bilhões.

No entanto, o saldo líquido do mercado ficou negativo pelo quarto mês consecutivo, já que o BC voltou a comprar mais dólares do que o obtido pelo Brasil via fluxo comercial e financeiro. Em abril, a conta ficou negativa em US$ 778 milhões, resultado do fluxo de US$ 2,24 bilhões menos as compras do BC, que ficaram em US$ 3,02 bilhões.

Cabe lembrar que mesmo tirando mais dólares do que o fluxo, o preço da moeda americana caiu 2,41% durante o mês passado. Reforçando a ideia de que não é a entra ou saída de moeda que determina a formação de preço, mas sim as operações com derivativos de câmbio realizadas no mercado futuro.

A autoridade monetária mostrou, ainda, que os bancos fecharam o mês de abril com posições vendidas em dólar no valor de US$ 2,98 bilhões. Em março, os bancos tinham fechado o mês comprados em US$ 453 milhões. (Eduardo Campos | Valor)

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