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05/05/2010 - 18h38

Lula poderá vetar reajuste de 7,7%, diz ministro

BRASÍLIA - O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou hoje que o governo tentará reverter no Senado a decisão da Câmara dos Deputados que, ontem, aprovou a concessão de reajuste de 7,7% para aposentados que ganham mais de um salário mínimo e o fim do fator previdenciário. "O jogo está sendo jogado. (A proposta) foi aprovada na Câmara e agora segue para o Senado e iremos apresentar aos senadores a realidade das contas públicas, a capacidade do governo de suportar um aumento no reajuste e esperamos que eles (os senadores) possam rever essa situação", declarou Padilha logo após ter se reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.

Segundo o ministro, o fim do fator previdenciário poderá gerar um impacto orçamentário anual de cerca de R$ 4 bilhões. Padilha lembrou que, após negociar com as centrais sindicais um aumento de 6,14%, o governo sinalizou com a possibilidade de conceder até 7% de reajuste, "o máximo que poderíamos suportar".

Embora acredite que os senadores vão modificar o resultado da votação na Câmara, Padilha afirmou que, se necessário, o próprio presidente poderá vetar o aumento, assumindo o desgaste político a fim de evitar o prejuízo nas contas da Previdência Social.

"Há um clima eleitoral que contamina os deputados e senadores", afirmou Padilha. "Mas o governo não vai se contaminar por este clima. O presidente não vai fazer como outros governos já fizeram e permitir qualquer irresponsabilidade com as contas públicas", concluiu o ministro.

Mais cedo, o presidente disse que "só é possível melhorar a vida do povo se tiver compatibilidade entre a necessidade do reajuste e a receita que nós temos". Lula não disse se irá vetar o reajuste. Afirmou que só tomará uma decisão quando o assunto for finalizado no Congresso Nacional.

"Com tranquilidade vou conversar com o ministro da Fazenda, mas só depois que o Senado tomar a decisão final. Não sei se o Senado toma a decisão, se volta para a Câmara, portanto, a hora é de aguardar o Congresso cumprir sua parte", assinalou.

O presidente afirmou ainda que, no atual momento econômico favorável que o Brasil vive, não se pode fazer "qualquer espécie de loucura em qualquer área" que possa atrapalhar o desenvolvimento do país. "Não podemos permitir que qualquer coisa, seja a previdência, seja a política de juros, a inflação, venha causar qualquer impossibilidade de o Brasil continuar nesse momento excepcional que está vivendo", disse. (Agência Brasil)

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