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05/05/2010 - 09h52

Mau humor externo deve voltar a afetar Bovespa no início do pregão

SÃO PAULO - O mau humor que afetou as bolsas na última jornada, refletindo o aumento das preocupações com relação à crise na Europa, deve voltar a ter impacto no mercado acionário neste pregão. No Brasil, acompanhando a trajetória internacional, o Ibovespa futuro opera em baixa e, há pouco, cedia 0,43%, aos 65.115 pontos.

Ontem, na terceira jornada seguida de queda, o Ibovespa despencou 3,35%, aos 64.869 pontos, na menor pontuação desde 9 de fevereiro (64.718 pontos). O giro financeiro atingiu R$ 10,087 bilhões.

Nos Estados Unidos, as bolsas também amargaram perdas. O índice Dow Jones registrou queda de 2,02%, aos 10.927 pontos, enquanto o Nasdaq teve perda de 2,98%, para 2.424 pontos, e o S & P 500 recuou 2,38%, aos 1.174 pontos.

Embora tenha sido anunciado um pacote de 110 bilhões de euros para socorrer a Grécia ao longo dos próximos três anos, os investidores temem que o montante não seja suficiente e que, caso a crise se alastre para outros países europeus, não haja recurso suficiente para socorrer as economias.

Entre as nações que apresentam problemas nas dívidas soberanas estão Espanha, Portugal, Itália e Irlanda. Nesta quarta-feira, a agência de classificação de risco Moody´s colocou a nota de crédito do governo de Portugal sob revisão para possível rebaixamento. A classificação atual é Aa2.

Segundo a Moody´s, o rating de Aa2 pode cair em um degrau ou dois degraus. A revisão da nota, que está em perspectiva negativa desde outubro de 2009, deve ser concluída em um prazo de três meses.

A chanceler alemã Angela Merkel pediu hoje a congressistas alemães que aprovem rapidamente o auxílio de 22,4 bilhões de euros (US$ 29,3 bilhões) à Grécia, argumentando que o "futuro da Europa" está em jogo.

Nos Estados Unidos a ADP, empresa americana que processa folhas de pagamento, revelou que foram criadas 32 mil vagas no setor privado americano de março para abril, em bases ajustadas sazonalmente.

Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão em sentidos opostos. Parte do mercado permanece temerosa com relação à Grécia. O índice Shanghai Composite, de Xangai, subiu 0,77%, aos 2.857 pontos, enquanto, em Hong Kong, o Hang Seng teve retração de 2,10%, aos 20.327 pontos.

As bolsas de Tóquio e Seul não funcionaram em função de um feriado. Na continuidade da temporada de balanços nacionais, a AmBev informou que fechou o trimestre terminado em março com lucro líquido de R$ 1,650 bilhão, pouco acima do ganho de R$ 1,612 bilhão apurado um ano antes. O lucro líquido atribuído à empresa ficou em R$ 1,650 bilhão, o que implica alta de 3,9% ante o montante do trimestre inicial de 2009, quando a fabricante de bebidas ganhou R$ 1,588 bilhão.

Normalizado, ou seja, antes de itens extraordinários, o lucro líquido atribuído à AmBev cresceu 25,2%, indo de R$ 1,371 bilhão nos três primeiros meses do ano passado para R$ 1,716 bilhão entre janeiro e março deste exercício.

Ainda no segmento corporativo, a Suzano Papel e Celulose anunciou um reajuste de 4,8% nos preços ao mercado doméstico de sua linha de papéis revestidos. O aumento vale desde 1º de maio. A revisão de preço é a segunda no ano, seguindo o aumento de 9,8% aplicado no mês passado.

Nos preços ao exterior da celulose de fibra curta, a empresa já realizou cinco reajustes neste ano, um para cada mês. Para maio, o valor do insumo teve um acréscimo de US$ 50 por tonelada. Já a Petrobras disse ontem que vai voltar a exportar gasolina em maio, no rastro da retomada do consumo de etanol este ano, depois do tradicional período de entressafra da cana-de-açúcar. No mês passado, a estatal importou uma carga de 1,2 milhão de barris de gasolina, exportando igual volume para honrar contratos fechados anteriormente. A Brasil Ecodiesel, por sua vez, informou que o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região revogou a liminar obtida pela companhia na 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que impedia que os volumes arrematados pela empresa no primeiro lote do 17º leilão de biodiesel fossem licitados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a outras empresas. A companhia esclareceu que, em função da derrota judicial, deixará de comercializar 24 mil metros cúbicos de biodiesel, o que deve provocar uma redução de seu faturamento da ordem de R$ 61 milhões no segundo trimestre, ante o total de R$ 177,5 milhões inicialmente previstos.

No mercado de câmbio, o dólar opera novamente em alta nesta quarta-feira. Há pouco, a moeda americana subia 0,85%, cotada a R$ 1,776 na venda, enquanto o contrato futuro de junho avançava 0,50%, para R$ 1,784.

Ontem, a divisa fechou a sessão na maior alta diária desde 4 de fevereiro (2,16%) ao avançar 1,67%, cotada a R$ 1,761 na venda.

(Beatriz Cutait | Valor)

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