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05/05/2010 - 18h43

Vendas de máquinas e equipamentos marcam recorde para meses de março

SÃO PAULO - O faturamento de R$ 7,2 bilhões registrado pela indústria de máquinas e equipamentos em março foi o melhor para o mês na história, mas o setor ainda está longe de recuperar o desempenho registrado antes de a crise financeira alcançar sua fase mais aguda, cujo marco foi a falência do banco americano Lehman Brothers em setembro de 2008.

Na média de 2010, o faturamento mensal dessa indústria está 16,9% abaixo dos níveis de 2008, ano em que a crise só afetou os resultados no último trimestre.

Um fator que está travando a recuperação é o tímido desempenho das exportações, que marcaram queda de 4,4% no primeiro trimestre, atingindo US$ 1,88 bilhão.

Durante apresentação à imprensa desses números, o diretor-secretário da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Buch Pastoriza, atribuiu tal resultado à combinação de real valorizado com arrefecimento da demanda externa, ainda não restabelecida totalmente.

No primeiro trimestre do ano, houve queda de 21,4% nas vendas aos Estados Unidos, principal consumidor da indústria brasileira de bens de capital. Para a Argentina, segundo maior mercado externo, as exportações tiveram baixa de 24,6%.

Por outro lado, as importações de máquinas e equipamentos crescem 5%, puxadas por uma presença mais agressiva da China, que já é a terceira maior fornecedora externa desses produtos ao Brasil, marcando crescimento de 53,4% neste ano.

A combinação dessas forças gerou ao setor um déficit comercial de US$ 3,14 bilhões nos três primeiros meses do ano e a expectativa de Pastoriza é de que esse saldo negativo cresça para perto de US$ 12 bilhões até o fim do ano. Em 2009, o déficit comercial do Brasil em máquinas e equipamentos foi de US$ 11,14 bilhões.

Apesar disso, as vendas internas têm ajudado a compensar os números poucos favoráveis no comércio exterior. O faturamento do setor nos três primeiros meses do ano foi de R$ 16,8 bilhões, 20,2% acima do montante de igual período do ano passado. Só em março, as vendas tiveram crescimento de 27,6% ainda na comparação anual.

Os executivos do setor acompanham esse movimento como um resultado da retomada dos investimentos no Brasil, na esteira do crescimento do consumo doméstico e das medidas do governo para reduzir o custo de financiamento de bens de capital no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que inclui uma linha especial com juros fixos de 4,5% ao ano. A partir de julho, esses juros passarão para 5,5% ao ano, o que ainda é visto pelos empresários como uma condição vantajosa. " Já pedimos para perenizar essa linha " , afirmou Pastoriza aos jornalistas.

(Eduardo Laguna | Valor)

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