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06/05/2010 - 16h10

Automóveis ficarão mais caros por conta do aço, prevê Anfavea

SÃO PAULO - Após um ano com preços reduzidos, os veículos automotores ficarão mais caros em 2010. As montadoras devem elevar o preço dos automóveis para compensar o aumento no custo de produção provocado pelo reajuste no valor do aço. "O aço é um problema. Este aumento significa ter produtos mais caros e menos competitivos para os mercados interno e externo. Além disso, esse é um tema sensível, que coloca o Brasil em uma condição desfavorável, sobretudo para exportar", explicou Cledorvino Belini, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Apesar disso, Cledorvino não quis estimar de quanto será o repasse para os consumidores. Segundo ele, as negociações já estão ocorrendo e cada montadora vai definir a sua política de preços. O presidente da Anfavea também classificou como problema a decisão do governo, anunciada ontem, de acabar com o redutor de 40% do imposto de importação de autopeças.

Cledorvino prevê que a medida será mais um fator que contribuirá para uma provável pressão sobre os preços dos automóveis, com o repasse dos custos aos consumidores.

Ele também não descartou a possibilidade do fim do redutor gerar um crescimento das importações de automóveis que tem suas peças compradas no exterior.

Apesar de uma perspectiva relativamente desfavorável, o presidente da entidade não alterou as previsões para as vendas em 2010. A Anfavea espera comercializar neste ano 3,4 milhões de unidades, um avanço 8,2% em relação a 2009. "Tudo leva a crer que essas metas são factíveis. Temos um vigor na economia, com o crédito em expansão, os juros razoáveis e a confiança do consumidor em alta", destacou Cledorvino.

A Anfavea projeta que serão produzidos neste ano 3,39 milhões de veículos automotores, o que representará uma expansão de 6,5% sobre o volume do ano passado.

O presidente entidade, contudo, ressaltou que a produção continuará em queda até que as montadoras façam um ajuste em seus estoques, que registraram uma alta de 20% em abril, com o fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido. No mês passado, a produção recuou 14,6% ante março.

Já as vendas ao exterior devem saltar, em 2010, 11,5%, com a exportação de 530 mil unidades. Cledorvino reiterou que os investimentos da indústria automobilística totalizarão US$ 11,2 bilhões entre 2010 e 2012. No triênio anterior, os aportes somaram US$ 8,1 bilhões.

(Fernando Taquari | Valor)

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