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06/05/2010 - 12h09

BC mostra atenção à cena externa e DIs recuam na BM & F

SÃO PAULO - A leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) promove um dia de baixa no mercado de juros futuros. Segundo o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, o importante foi que o documento, além de juntar discursos com o resultado da reunião, deu uma ideia de como o Banco Central está encarando o que acontece no mercado externo.

"Se o BC não tivesse dado essa visão, a ata ficaria defasada. Essa é a grande discussão do momento, já que não há dúvida sobre o aumento da inflação e sobre a força da atividade", explica o economista.

Na avaliação de Leal, o BC deixa dois resultados possíveis dessa crise que atinge a Europa no mercado local e, consequentemente, sobre a condução da política monetária.

Se o quadro externo gerar apenas aversão ao risco, diz o economista, haverá uma valorização do dólar sem contraponto de redução de atividade. Nesse cenário, o BC seria obrigado a dar mais altas de juros.
Por outro lado, diz o especialista, se a crise resultar em menor crescimento externo, vai haver impacto na dinâmica de atividade local e isso resultaria em menor aperto monetário.

"O BC parece mais inclinado a esse segundo impacto. E é a isso que o mercado estão reagindo. Quanto pior ficar na Europa, o BC fica mais inclinado a dar menos altas de juros", explica.

Por volta das 12h, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em junho de 2010 não era negociado. Já julho de 2010 cedia 0,01 ponto, a 9,70%. E janeiro de 2011 tinha baixa de 0,04 ponto, a 11,08%.

Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 declinava 0,05 ponto, a 12,43%. Janeiro 2013 recuava 0,09 ponto, projetando 12,75%. E janeiro 2014 diminuía 0,12 ponto, também a 12,75%.

Ainda de acordo Leal, a ata também transparece a ideia de que o plano de voo original foi revisto. Ou seja, o ritmo de alta, agora, é de 0,75 ponto percentual por reunião. Para o economista, o tamanho do ciclo continua rondando os 300 pontos, só que o BC cumprirá seu objetivo em menor tempo.

A ata também encara o aumento na inflação de serviços como um processo que se estende por alguns trimestre e afirma que a economia se encontra em um novo ciclo de expansão. Tendo isso em pauta, o Copom aponta que "a postura de política monetária deve ser ajustada, por um lado, porque contribui para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, porque evita que pressões de preços originalmente isoladas determinem uma deterioração persistente do cenário prospectivo para a inflação."
Leal também chama atenção ao "tapa com luva de pelica" que o BC dá nos desenvolvimentistas no parágrafo 22, ao lembrar que aceitar um pouco mais de inflação para ter um crescimento mais acelerado não é opção.
Diz o Copom: "De outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazo. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas neste e nos próximos anos, o que exige que eventuais desvios em relação à trajetória de metas sejam prontamente corrigidos".

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Letras Financeiras do Tesouro (LFT), Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Eduardo Campos | Valor)

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