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06/05/2010 - 17h39

Bolsas dos EUA caem mais de 3%, com investidores em pânico com Grécia

SÃO PAULO - Wall Street viveu uma sessão de tensão nesta quarta-feira. Os índices desabaram, enquanto o dólar apresentou forte valorização frente às demais moedas.

O índice Dow Jones encerrou as operações com queda de 3,20%, aos 10.520 pontos. O Nasdaq perdeu 3,44%, aos 2.320 pontos. O S & P-500, por sua vez, apresentou desvalorização de 3,24%, aos 1.128 pontos.
Alguns analistas afirmaram que o comportamento do mercado foi marcado pelo pânico. O índice Dow Jones chegou a recuar 998 pontos, ou 9,2% durante o pregão, mas depois voltou ao patamar dos 500 pontos de perda. Os agentes chegaram a especular a possibilidade de chegar a um "circuit braking", que trava as negociações quando o recuo chega a 10%.

A Grécia, mais uma vez, foi o fator de pressão sobre os negócios. Hoje, o Parlamento grego aprovou as medidas para tentar ajustar as finanças públicas do país. De 296 legisladores, 172 votos foram a favor e 121 contra. "A situação é simples - votamos e implementamos o acordo ou condenamos o país à falência", afirmou o premiê grego George Papandreou.
As medidas de controle do déficit público e suas consequências restritivas sobre a população grega geraram revolta nas ruas, o que levantou questionamentos sobre o sucesso do plano de austeridade do governo de Papandreou.
Além disso, as expectativas de que a crise se espalhe por toda a Europa criaram força. A existência de mais países em dificuldades, como Portugal, Espanha e Irlanda, se aliou à fraqueza do euro. Muitos países, durante a crise, trocaram parte de suas reservas em dólar por euro, que agora segue sob desconfiança.
O alerta da agência de classificação de crédito Moody´s também esteve no foco dos agentes. Segundo a agência, a crise gerada pela dívida da Grécia poderia se disseminar e afetar o sistema bancário de outros países, como Espanha, Irlanda, Itália, Portugal e Reino Unido.
Toda esta situação foi intensificada, no momento mais crítico da sessão, pelas negociações via computador, cujos sistemas estão programados para venderem as ações quando essas chegam a um patamar baixo específico. Muitos especialistas criticam que o sistema, chamado "stop loss", sem intervenção humana, aprofunde a queda nas bolsas.
Os setores varejista e bancário estiveram entre os destaques de queda deste pregão. Os papéis do JC Penney recuaram quase 2% diante do clima pessimista.
No setor financeiro, as ações do Citigroup perderam quase 3,5%, enquanto as do Goldman Sachs recuaram 4%. As desvalorizações dos bancos foram resultado da aprovação de uma emenda, pelo Senado americano, do projeto de reforma financeira, que eleva a taxa paga pelos grandes bancos ao fundo garantidor de crédito, enquanto permitem a pequenos bancos pagar uma contribuição menor para o FDIC (Federal Deposit Insurance Corp), o fundo garantidor de depósitos do sistema bancário dos Estados Unidos.
No âmbito dos indicadores, os agentes receberam ainda os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, que somaram 444 mil na semana encerrada no dia 1 deste mês, o que implica decréscimo de 7 mil perante a leitura de uma semana antes, de 451 mil.

(Vanessa Dezem | Valor com agências internacionais)

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