UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

06/05/2010 - 12h39

Humor internacional piora e Bovespa volta a recuar no pregão

SÃO PAULO - Embora o desempenho das "blue chips" tenha dado um fôlego para o mercado brasileiro numa parte da primeira etapa dos negócios, a volatilidade não dá trégua para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A piora de humor do mercado externo, com a queda das bolsas americanas e europeias, trouxe pessimismo para o Ibovespa e as vendas voltaram a prevalecer sobre os negócios.

Por volta das 12h35, o principal índice da Bovespa cedia 0,39%, para 64.662 pontos. O giro financeiro estava em R$ 2,387 bilhões.

A pauta do dia é a mesma: Europa. Após o Banco Central Europeu (BCE) ter decidido manter a taxa de juro da zona do euro em 1% ao ano, o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, falou novamente em crescimento econômico moderado e desigual em 2010 para as economias unidas pela moeda comum.

O dirigente do BCE comentou ainda que a Grécia não contempla um default, acrescentando que Espanha e Portugal não enfrentam a mesma situação dos gregos.

Para agravar o quadro, a agência de classificação de crédito Moody´s afirmou hoje que a crise gerada pela dívida da Grécia poderia se disseminar e afetar o sistema bancário de outros países, como Espanha, Irlanda, Itália, Portugal e Reino Unido.

"As incertezas em relação à Europa continuam pesando sobre o mercado. Está se discutindo o potencial de contágio da Grécia nos demais países da Europa. Esta insegurança está trazendo volatilidade e ela deve continuar", ressaltou o sócio-diretor da Petra Asset, Ricardo Binelli.

Ele aponta que a situação europeia deve continuar a ofuscar os indicadores macroeconômicos americanos e os balanços corporativos que têm sido divulgados.

"Há ainda gordura para se queimar, há motivações de sobra, no Brasil, para se tentar resgatar um pouco dos ganhos do ano passado. Nos Estados Unidos, os dois últimos meses foram bons, então dá para todo mundo assumir uma postura conservadora sem perder oportunidades", pontuou Binelli.

Entre os dados "secundários" divulgados nesta manhã, o Departamento do Trabalho americano revelou que a produtividade do setor de negócios não agrícola no país aumentou a uma taxa anualizada de 3,6% no primeiro trimestre deste ano. A produção subiu 4,4% e as horas trabalhadas avançaram 0,8%.

Já os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos somaram 444 mil na semana encerrada no dia 1 deste mês, decréscimo de 7 mil ante a leitura de uma semana antes, de 451 mil.

Em Wall Street, as bolsas aprofundaram as quedas. Há instantes, o índice Dow Jones recuava 0,78%, o S & P 500 cedia 0,87% e o Nasdaq caía 0,97%.

Voltando ao mercado local, as "blue chips" operam em alta no pregão. Há pouco, as ações PN da Petrobras subiam 0,49%, para R$ 30,36, com giro de R$ 232,9 milhões, enquanto os papéis PNA da Vale avançavam 0,45%, a R$ 44,40, com volume de R$ 446,4 milhões.

As altas do Ibovespa eram lideradas por Duratex ON, com apreciação de 2,28%, a R$ 15,67, Brasil Telecom PN, com valorização de 1,60%, a R$ 10,79, e Petrobras ON, com ganho de 1,34%, a R$ 34,56.

O sentido oposto é liderado pelas units da ALL, com queda de 3,21%, a R$ 14,45, pelas ações ON da LLX, com baixa de 3,09%, a R$ 7,84, e Cemig PN, com recuo de 2,60%, a R$ 26,92.

Ainda no mercado brasileiro, o investidor estrangeiro diminuiu a posição na Bovespa pelo 10º dia seguido. Até o dia 4 de maio, foi retirado R$ 1,966 bilhão do mercado brasileiro, o que explica uma parte da queda de 6,12% acumulada pelo Ibovespa no intervalo.

Apenas na terça-feira desta semana, o não residente tirou R$ 452,4 milhões da bolsa brasileira. No ano, o resultado da atuação do investidor internacional na bolsa brasileira está negativo em R$ 1,855 bilhão.

(Beatriz Cutait | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host