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06/05/2010 - 18h19

Pânico externo gera pregão conturbado e Bovespa perde os 64 mil pontos

SÃO PAULO - Um desespero que tomou conta dos investidores na tarde desta quinta-feira levou as bolsas americanas e a brasileira, por consequência, a despencarem significativamente.

No Brasil, o pânico levou o Ibovespa a cair 6,38%, ou 4.140 pontos, na mínima do dia, atingindo patamares de mais de seis meses atrás. No fim da jornada, entretanto, a baixa foi de "apenas" 2,31%, aos 63.414 pontos.
Esta é a menor pontuação desde o dia 8 de fevereiro (63.153). O giro financeiro movimentado correspondeu a R$ 10,636 bilhões. Com o desempenho de hoje, o Ibovespa já acumula queda de 6,09% na semana.

Embora as tensões presentes no cenário europeu sejam suficientes para que os agentes justifiquem a adoção de maior cautela, o quadro que elevou as vendas nas bolsas e commodities e a procura pelo dólar foi composto por novas notícias do setor financeiro, cujas ações amargaram as maiores perdas do dia.

Na Europa, a agência de classificação de risco Moody´s revelou que a crise gerada pela dívida da Grécia poderia se disseminar e afetar o sistema bancário de outros países, como Espanha, Irlanda, Itália, Portugal e Reino Unido.

O discurso feito pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, tentando diferenciar a situação vivida pela Grécia da Espanha e de Portugal não conseguiu acalmar os agentes.

Além disso, embora o Parlamento grego tenha conseguido aprovar as medidas para tentar ajustar as finanças públicas do país, as manifestações da população do país continuaram.

As novas medidas do governo, que envolvem congelamento de salários no setor público e aumento no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), entre outras, devem gerar uma economia de 30 bilhões de euros.

Já no continente americano, houve uma reação negativa à aprovação do Senado a uma emenda ao projeto de reforma financeira em curso no país.
O Congresso aprovou uma proposta que permitirá a pequenos bancos pagar uma contribuição menor para o FDIC (Federal Deposit Insurance Corp), o fundo garantidor de depósitos do sistema bancário dos Estados Unidos. Esse fundo assegura a devolução de depósitos de até US$ 250 mil no caso de falência da instituição financeira.

A mudança obrigaria o FDIC a fixar o valor das contribuições com base nos riscos assumidos pelos bancos - uma fórmula que, na prática, faria as instituições maiores pagar uma quantia mais elevada.

E, neste ambiente de tensão, a situação nas bolsas americanas pode ter sido agravada pelas negociações via computador, cujos sistemas estão programados para venderem as ações quando elas chegam a um patamar baixo específico. Muitos especialistas criticam que o sistema, chamado "stop loss", sem intervenção humana, aprofunde a queda nas bolsas.
O operador da corretora Geraldo Corrêa, Marcelo Mattos, afirma que o mercado chegou a questionar a possibilidade de falhas técnicas na plataforma de negócios, diante da dificuldade em se identificar os motivos que levaram o Dow Jones a, repentinamente, cair mais de 9% em Nova York.

Segundo ele, o tombo do mercado foi resultado de sucessivos movimentos de "stop loss", mas as notícias sobre maior taxação a bancos americanos podem ter determinado o viés negativo do dia. "Isso traz preocupações sobre a rentabilidade do sistema financeiro", aponta.

Já o economista-chefe da Sul América, Newton Rosa, assinala que a aversão ao risco se agravou a partir da quebra das expectativas sobre uma ajuda à Grécia, que não aconteceu na reunião de hoje do Banco Central Europeu (BCE).

A autoridade monetária frustrou os agentes ao não colocar em pauta a discussão sobre compra de títulos gregos. "A recuperação da economia, que estava começando a se consolidar, pode ser abortada por uma crise dessa", diz o analista, referindo-se às tensões sobre a crise fiscal na Europa.

Em Wall Street, o índice Dow Jones chegou a despencar 9,12%, mas fechou o dia com baixa de 3,20%, aos 10.520 pontos. O Nasdaq também perdeu 9,01% ao longo da jornada, mas encerrou com desvalorização de 3,44%, para 2.320 pontos. O S & P 500, por sua vez, caiu 5,7% na mínima, mas fechou com recuo de 3,24%, aos 1.128 pontos.

No mercado nacional, com os balanços corporativos ofuscados pelo cenário externo, apenas seis ações do Ibovespa conseguiram escapar do movimento negativo. O destaque ficou com Souza Cruz ON, com alta de 0,83%, a R$ 66,2, CPFL ON, com valorização de 0,48%, a R$ 35,01, e AmBev PN, com apreciação de 0,46%, a R$ 170,79.

No sentido oposto, figuraram entre as principais baixas do Ibovespa as ações ON da Rossi Residencial, com queda de 8,33%, a R$ 12,2, ON da Brasil Ecodiesel, com recuo de 6,42%, a R$ 1,02, e OGX Petróleo ON, com depreciação de 6,13%, a R$ 15,3.

E, diante da forte redução dos preços das commodities, as blue chips também não resistiram e fecharam no campo negativo. Enquanto os papéis PNA da Vale caíram 2,33%, a R$ 43,17, com giro de R$ 1,5 bilhão, as ações PN da Petrobras recuaram 1,32%, a R$ 29,81, com volume de R$ 960 milhões.

(Beatriz Cutait e Eduardo Laguna | Valor)

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