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12/05/2010 - 20h18

Brasil Foods diz que aval do Cade à fusão deve ficar para agosto

SÃO PAULO - O presidente da Brasil Foods (BRF), José Antonio Fay, defendeu hoje que a fusão entre Sadia e Perdigão é "pró-competitividade", diante da demora do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em aprovar a operação, que completa um ano neste mês.

A previsão da empresa é que a liberação do órgão antitruste só saia em agosto, contrariando previsões anteriores de que isso ocorreria ainda na primeira metade deste ano.

"Não há motivos para esperar mais. O negócio já vai fazer um ano", afirmou o executivo, acrescentado que a companhia continua colocando pressão, de forma positiva, para que o aval saia logo.

"Entendemos a complexidade, mas estamos ansiosos para começar a jogar", disse o Fay durante apresentação a jornalistas das demonstrações financeiras do primeiro trimestre, quando a BRF lucrou R$ 52,6 milhões, deixando para trás um prejuízo de R$ 465 milhões de igual período de 2009.

A partir do momento em que a união for consolidada, a meta da BRF é capturar sinergias de R$ 500 milhões a partir de 2012, tudo dentro de um programa de ganhos com economia já definido pela empresa. "Temos um cronograma a seguir. A captura dessas sinergias é fundamental", disse o presidente da BRF.

Fay argumenta que a união das duas empresas não trará prejuízos ao consumidor. Pelo contrário, os ganhos de escala permitirão preços mais competitivos, afirma. Segundo ele, estudos de elasticidade apontam que uma redução de preços garantiria volumes mais robustos de vendas.

Além disso, o executivo descarta a ideia de que a BRF teria uma posição hegemônica no mercado, uma vez que a concorrência também é forte. Nesse caso, ele citou os elevados investimentos da Seara em sua marca, algo que inclui patrocínios à Copa do Mundo e ao time e jogadores do Santos.

"Quem faz um investimento desse, não é uma empresa pequena", disse. "É um setor que continua tendo muita competitividade", acrescentou.

As previsões traçadas pela empresa no início do ano - como um crescimento de 8% dos volumes no mercado interno - continuam os mesmos, mas a novidade é que a BRF já vê uma tendência de um retorno aos dois dígitos na margem operacional medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). No primeiro trimestre deste ano, essa margem foi de 8,9%, como resultado de redução de custos e despesas e da normalização das exportações.

Durante o evento, Fay também garantiu que não há mais nenhum "resquício" da crise financeira da Sadia na estrutura de capital da BRF, lembrando que os derivativos que ocasionaram perdas de R$ 2,5 bilhões em 2008 já foram liquidados.

A companhia fechou março com uma dívida líquida de R$ 4,3 bilhões, menos da metade dos R$ 10,4 bilhões de igual mês de 2009.

(Eduardo Laguna | Valor)

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